ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

31/10/09

Edições Fundação Calouste Gulbenkian


(incluindo a Revista Colóquio Letras) Muito em breve no Pátio de Letras.

Se não tivermos o/s livro/s que pretende, desxta ou de o0utra editora, deixe-nos a sua encomenda pessoalmente ou pelos emails omundoemgavetas@gmail.com ou patio.omeg@gmail.com

Para o continente enviamos pelo correio sem acréscimo no preço.

30/10/09

sábado 31, 17h - MÚSICA e POESIA


com AL GHARB - RUA de MARÉS

NOTAS SOLTAS é um espectáculo de música que assenta em temas da musica latina mediterrânica.

Interpretes:
Maria Salomé Guerreiro (declamadora)
José Gonçalves (tenor)
José Vareda (tenor)
Joaquim Castilho (acordeonista)

com AL GHARB - RUA de MARÉS - poesia singela mas muito densa e sentida, da autoria de Lia Correia, uma algarvia genuína, nascida em Quarteira.

27/10/09

ler e respirar 12


A eterna juventude de um clássico

A editora “tinta da China” acaba de publicar a contra-corrente dos “best-sellers” indígenas que nos impingem, o extraordinário “Os cadernos de Pickuick” tradução um tanto ou quanto livre dos “Postumous Papers of the Pickuick club” um dos mais célebres títulos de Dickens (e dos que lhe rendeu mais dinheiro...).

Propor aos leitores este livros é a tarefa mais fácil e mais simpática que esta semana me cabe levar a cabo. Acreditem que este livro merece estar ao lado dos grandes, dos verdadeiros, dos “a sério”, sejam eles o Quixote, a Cartuxa de Parma, ou o À procura do tempo perdido.

De vez em quando faz bem ler um livro desopilante, um manancial da melhor picaresca inglesa, uma descrição do que me atrevo a chamar uma viagem iniciática. E iniciática a tudo: á vida, ao humor, a Dickens, e a nossa comum e mortal condição humana.

Eu tenho deste livro uma recordação nebulosa. Não admira: li-o há cerca de quarenta anos na velha edição da Romano Torres (sd) com o título aliciante de “As aventuras extraordinárias do sr. Pickuick”.

Ao ver esta nova edição, fui buscar o meu velho exemplar à estante e resolvi dar a mim próprio um presente para celebrar o “indian summer” já que reservo o S Martinho para as castanhas e o vinho novo. E portanto vou ler o livro convosco se é que vos posso convencer a embarcar com Pickuick, o estudioso da vida dos girinos numa lagoa cerca de Hampstead, os seus extravagantes companheiros do clube Pickuick, numa Inglaterra cheia de surpresas e aventuras com raptos, noivas, duelos, encontros imediatos do primeiro grau com toda a classe de pícaros e charlatães a que não falta uma espécie de Sancho Pança, ou de Passepartout (cito Verne, se me permitem).

Leiam este livro, comprem-no já, e terão sido mais, muito mais, do que escuteiros: é um grande livro, é uma pedrada no charco da edição tristonha que temos, é um verdadeiro e eterno clássico, está bem escrito e vão-se divertir como cabindas.

Ah, esquecia-me, ao comprá-lo, provam que é possível apoiar uma editora pequena interessada na cultura e não em mercadoria vagamente literária. Que grande programa!

23/10/09

Domingo às 17h - a não perder, no Pátio de Letras

apresentação de Paulo Cunha (Presidente da ass. Cultural Música XXI, Faro) e de Carlos Lopes (Ass. Cultural Casa Álvaro de Campos, Tavira)

George Steiner, erros, provas & parábolas


«All errata is a falsehood final.»
George Steiner, Proofs And Three Parables (1992)
A forma peculiar como George Steiner aborda a questão da nossa identidade cultural, em A Ideia de Europa (2005), convidou-me a mergulhar na restante obra do autor que até então ignorava. O prazer tem vindo a crescer à medida que os títulos se sucedem. Mesmo quando o universo do ensaio deu lugar ao da ficção. Comecei com Provas e Três Parábolas (2008). Voltei a render-me ao fascínio do mestre. Incondicional-mente. Trata-se de um grupo de quatro textos que já haviam conhecido uma publicação autónoma: Provas (1991), Desert Island Discs (1986), Noël, Noël (1989) e Excerto de uma conversa (1985).

O relato inicial apresenta-nos um «revisor de provas» italiano, cujo rigor profissional, de mais de trinta e cinco anos, convertera num «mestre do ofício». Ignoramos o seu nome ou a cidade onde vive. Só sabemos que a militância comunista de décadas lhe granjeara o título de Professore. A história fictícia da personagem acaba por se demudar na história verdadeira de pessoas reais, de carne e osso, que a memória dos homens esqueceu. A queda do muro de Berlim, difundida pela televisão, vai gerar um longo diálogo entre protagonista e um sacerdote católico sobre os erros e mentiras do marxismo e do cristianismo, cometidos pelas leis dos homens e de Deus. O resultado do debate é inconclusivo. Terá de ser o leitor a exercer o privilégio de decidir quais os actores mais adequados para promover uma eficaz «revisão de provas da história».

A primeira parábola deve o título ao programa homónimo da BBC, que desde 1941 pede a figuras conhecidos sugestões de livros e discos a levar para uma ilha deserta. A entidade convocada pela ficção solicita seis registos, a que o «arquivo sonoro» da estação de rádio consegue responder. O «arroto» de Fortimbras (Shakespeare, Hamlet); o «relincho» do cavalo do rei de Tebas ao ver o amo morto (Sófocles, Rei Édipo); o «rangido» do aparo de Clausius ao concluir a «equação da entropia»; o «riso» da amada ao ser beijada; o «Trio em Fá Maior para trompa, contrabaixo e conchas de Samatra», de Sigbert Weimerschlund (?), gravado por Zeppo, Harpo e Chico (Marx Brothers); e o «assobio» do jovem pintado «Pelo Mestre da Paixão de Chambéry». E é tudo. Mais uma vez, cabe-nos a nós proceder às pesquisas necessárias para determinar até que ponto esses pedidos podiam ter sido «guardados na memória» de alguém.

A parábola seguinte expande-se em torno dos «sons» e «cheiros» que tornam o Natal uma época tão especial. O assunto acabaria aqui se não se desse o caso de ser contado por um «pedaço de bicho tristonho», o «Caça-Ratos» / «Pé Ligeiro», o cão de estimação daquela família feliz formada pelo pai, pela mãe e pela filha Penny. Trata-se, afinal, de uma inesperada fábula.

A série termina com o «Excerto de uma conversa» travada entre dois estudiosos do Talmude. Mestre e discípulo discutem o problema do livre arbítrio do Homem face à presciência de Deus, focado no drama de Abraão de sacrificar Isaac ou na vanidade do Todo Poderoso testar a fé do seu humilde servo. A diferença fulcral entre os crentes da Torah e dos Evangelhos reside, talvez, no facto do Deus de Moisés não se ter coibido de matar todos os primogénitos do Egipto para garantir o êxodo do povo eleito para a terra santa, ao invés do Deus do Nazareno que ofereceu a vida do filho unigénito em sacrifício à cruz romana para salvar a humanidade.

Ancorados em esferas aparentemente distintas, os quatro pilares da colectânea acabam por conectar as matrizes culturais que enformaram a «Ideia de Europa». Duas frases escritas numa paragem de autocarro atraem a atenção do corrector de provas: «Deus não acredita em Deus» e «Deus não acredita no nosso Deus». Sinais dos tempos. Diremos nós. Na última parábola, uma mulher, pesarosa com o silêncio a que os «Livros Sagrados» votaram o drama de Sara, interroga os cabalistas sobre as sílabas que revelam o «Nome secreto de Deus» e nos farão a todos «livres». Boa questão à espera de resposta. Todavia, o «Nome dos Nomes» encontra-se guardado desde sempre no «Livro dos Livros». Na nossa imaginação divinamente humana ou humanamente divina. É tudo uma questão de perspectiva ou de sensibilidade pessoal.

18/10/09

Tertúlia Café Oceano, 5ª feira 22, às 18h30


»Sons no mar... debaixo de água«

5ª feira 22 OUTUBRO às 18h30, no Pátio B@r

Tema apresentado pelo Prof. Sérgio Jesus

Organização: Tertúlia Café Oceano / Pátio B@r

15/10/09

12/10/09

ler e respirar 11


E se passássemos às coisas sérias?

Os leitores desculparão. Sei que em Faro, as eleições foram braviamente disputadas, que S. Macário deu à costa sem naufrágio nem males de maior e que tudo isso é excitante.

Todavia, para lá desses momentos de frisson eleitoral, dessa brevíssima pausa eleitoral, fica o resto. E o resto somos nós, a nossa circunstância, algo mais duradouro que ultrapassa em muito a vida da polis. E por aí começamos.

Na polis, na verdadeira, na grega, o teatro era muito mais do que um espectáculo. Era algo de sagrado. Algo que remetia para os mitos fundadores da cidade, para a eminente dignidade dos homens que se viram obrigados a criar a ética para responder ás acções imprevisíveis e desconcertantes de deuses que inventaram (e abusaram) todos os vícios.

O teatro, a alma da poesia, manteve intacto o seu esplendor, ao longo dos séculos. Riu-se dos poderosos em Roma, derrotou preconceitos pela voz do advogado Pathelin, exaltou as virtudes populares com Gil Vicente, o heroísmo anónimo de Fuenteovejuna, e por aí fora.

No recanto, por mais recôndito que seja, em que humanos se juntem, à débil luz de duas pobres brasas, o teatro acontece pela voz de um ancião, de um griot, de um comediante. Não admira: nós acreditamos nas histórias e no enorme poder que elas têm. Moldaram as nossas infâncias, fizeram-nos esquecer maus momentos e, quando acontecem num estrado á nossa frente, o milagre da palavra viva, toca-nos a todos e cada um numa absurda mas calorosa comunhão com o actor, com o poeta e com a multidão á nossa volta na noite matricial e cúmplice.

Em Portugal há uma editora, uma editora corajosa, impar, com um catálogo exemplar, que dedica ao teatro muito, quase tudo do que nesse domínio se publica entre nós. Hoje falaremos apenas de um desses milagres. Do milagre norueguês: Henrik Ibsen. Um autor do século XIX que morre nos alvores do século XX. Um autor cuja radical modernidade se mantém intacta, pese embora o forte pendor simbolista de muitas das suas obras. Ibsen, exilado voluntário, conseguiu causar escândalo na estreia de praticamente todas as suas peças. A coragem, a depurada poesia, a audácia, a denúncia do provincianismo dos valores vitorianos ( estamos no século XIX!!!) foram constantes da sua vida.

Seria bom poder ver as suas obras todas em palco. Até lá, há na “cotovia” (passarinho melodioso e simpática) três belos volumes de “peças escolhidas”. Vale a pena. Vale mesmo a pena. E parece que a editora pondera vender os três volumes num pacote económico. Se assim for, nem hesitem. E se não for, paciência: o prazer também tem um preço.

6ª f às 21h30 apresentação de "Os nossos dias"

Esta 6ª feira, dia 16 de Outubro, pelas 21h30, temos o prazer de receber no Pátio de Letras a apresentação do livro de Miguel Godinho Os nossos dias seguido de Os lugares Antigos.

O livro de poesia, o primeiro de Miguel Godinho, editado pela 4águas, será apresentado por João Bentes, também ele poeta e o evento de apresentação contará com uma performance de Rui Cabrita (actor) sobre os poemas do livro e com projecção multimédia de Daniel Almeida.

Estão todos convidados para este evento com alguns dos mais promissores criadores da cidade. Será, com certeza, a não perder.

*
Os nossos dias seguido de Os Lugares Antigos de Miguel Godinho é o mais recente livro da 4águas Editora e uma das "estrelas" nas estantes de poesia do Pátio de Letras.

"Este primeiro livro de Miguel Godinho (Faro, 1979) é uma obra com uma linguagem cuidada, mas não rebuscada, crua, mas nunca simplista, com aquilo que parecendo ser um sinal de contenção, será mais uma opção – um apuro estético – que demonstra um tipo de firmeza na “voz” fora do comum num jovem e estreante poeta. A poesia de Miguel Godinho, poder-se-á, para já com este livro, enquadrar na noção de “poesia da experiência”, mas sem nunca se esgotar num tom puramente narrativo, nem numa experiência exclusivamente literal".
(continuar a ler este texto de apresentação ao livro AQUI)
Deixamo-vos o link para o blogue do autor: http://www.f-utilidades.blogspot.com/.

Novidades! Sempre a chegar...

"Como Proust Pode Mudar a Sua Vida", de Alain de Botton,
Ed. Dom Quixote


Como Proust Pode Mudar a Sua Vida é um livro prático destinado a ajudar as pessoas a serem mais felizes: como amar a vida hoje? Como exprimir as emoções? como ser um bom amigo? são alguns dos temas tratados no livro. Botton parte do livro de Proust Em Busca do Tempo Perdido para falar sobre estes temas.



"O Mar em Casablanca", de Francisco José Viegas,
Ed. Porto Editora

"Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?",
de António Lobo Antunes, Ed. Dom Quixote


"A Cabana", de Wm. Paul Young, Ed. Porto Editora


"O Solista", de Steve Lopez, Ed. Estrela Polar


"A Sombra do Que Fomos", de Luís Sepúlveda,
Ed. Porto Editora



"Os Ensinamentos de Confúcio", de Yu Dan, Ed. Presença


"O Mundo é Curvo", de David M. Smick, Ed. Presença

06/10/09

Carlos Ruiz Zafón, Marina e os mistérios de Barcelona


«Marina me dijo una vez que sólo recordamos lo que nunca sucedió.»
Carlos Ruiz Zafón, Marina (1999)
Viciei-me na arte de contar de Carlos Ruiz Zafón com A Sombra do Vento (2001) e O Jogo do Anjo (2008). Li-os de seguida como se tratasse de duas partes da mesma obra. Depois, tal como muitos outros leitores da aldeia global, virei-me para os títulos mais antigos. A escolha recaiu em Marina (1999), um texto charneira situado na fronteira entre dois universos de escrita, o luminoso da novela de aventuras para jovens e o sombrio do romance gótico para adultos. Encontrei-o à minha espera numa livraria. Resgatei-o e dei-lhe vida ao ouvir tudo aquilo que tinha para me dizer. Revelou-me muitas coisas surpreendentes. Fico-me pelos meros apontamentos.

A revelação de enigmas guardados num «cemitério dos livros esquecidos» não voltou a ocorrer. Em contrapartida, o desejo de desvendar os mistérios de Barcelona, «a cidade feiticeira», «a metrópole modernista», onde as peripécias de contorno folhetinesco se vão sucedendo a um ritmo vertiginoso, ao sabor da imaginação do autor e prazer do leitor, repetiu-se mais uma vez. A fluência do discurso, o ritmo da escrita e a magia das palavras são os culpados. Avassaladores, inebriantes, únicos.

A pedra de toque novelesca é-nos transmitida por uma «borboleta negra de asas abertas», gravada nos lugares mais bizarros ou a esvoaçar à volta das personagens mais nebulosas, nos momentos mais insólitos da intriga. Atrás de si paira sempre o fedor dos pântanos e dos poços envenenados. Pormenor reiterado à exaustão pela instância narrativa, a fim de balizar a luta sem quartel pela sobrevivência. É que, como é sugerido, a diabólica Teufel, habitante de torres, caves e túneis privados de luz, tem a capacidade de ressuscitar de entre os mortos. Enterra o corpo antes dessa metamorfose macabra e alimenta-se depois das próprias crias.

Em termos gerais, o romance propõe-nos uma reflexão continuada sobre os mistérios da condição humana, através do relato alternado de três histórias de amor e morte: a nuclear de Óscar Drai e Marina Blau, a celestial de Germán Blau e Kirsten Auermann e a infernal de Mijail Kolvenik e Eva Frinova. Tudo somado, atravessam todo o séc. xx e têm como pano de fundo privilegiado a malha urbana da cidade condal, convertida na efectiva protagonista das diversas peripécias trágicas que nela se vão traçando.

A acção central do livro decorre entre Setembro de 1979 e Maio de 1980, período simbólico de nove meses, durante o qual dois jovens de 15 anos vêem nascer, crescer e fenecer um primeiro amor de adolescência. À distância confortável de quinze anos, o herói sobrevivente revisita os locais onde os eventos se deram e confia as suas recordações às páginas de um diário pessoal, aquele que chegou até nós sob a forma de um romance de aprendizagem.

Quando a leitura termina, esquecemo-nos de que «todos os contos são mentiras, mas que nem todas as mentiras são contos», e sentimos uma vontade muito forte de partir à descoberta de Barcelona, a cidade misteriosa, na esperança vã de vislumbrar o Grande Teatro Real, o Palacete de Sarriá ou a Torre do Parque Güell, ao encontro dos palcos em que se representaram as cenas mais marcantes do drama. Sentimos o impulso imperioso de nos sentarmos ao volante de um velho Tucker dos anos cinquenta, à procura da praia secreta virada para o Mediterrâneo, local idílico que os heróis pisaram uma única vez, a meio da sua história de amor, e onde Óscar verá lançar as cinzas de Marina, produto final da sua história de morte.

Carlos Ruiz Zafón confessa no prólogo que acompanha a reedição mais recente de Marina (2008) ser esse um dos seus livros favoritos, aquele que permanecia tão presente na sua memória como no dia em que o acabara de escrever (1997), rematando com uma ideia que depois incorporará na ficção, na boca da heroína: «Por vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação (...) só recordamos o que nunca aconteceu».

sábado 10, noite de reflexão...


04/10/09

CDU apresenta programa para a cultura: dia 7, 21h30

4ª f dia 7 de Outubro, às 21h30:

A candidadtura da CDU à autarquia farense, encabeçada pelo Eng. António Mendonça, apresenta no Pátio de Letras as suas propostas para a cultura.

01/10/09

Novidades no Pátio

Algumas das novidades chegadas ao Pátio de Letras.
Clique nos títulos dos livros para mais informações.

2666 de Roberto Bolaño, Livros Quetzal

Indignação de Philip Roth, Dom Quixote

Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes de João Céu e Silva, Porto editora


Gabriel García Márquez - Uma Vida de Gerald Martin, Dom Quixote


Agenda 2010 Agustina, Guimarães Editores