ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas
AGENDA
03/11/09
02/11/09
António Lobo Antunes
… a alegria de ser entendido sem palavras, que é o nosso sonho, é indizível. O nosso sonho é que nos possam entender sem termos que explicar. Que a pessoa entre em nós naquele núcleo de trevas que nós achamos sempre que é incomunicável. E isso é possível através dos sentidos. Os sentidos são anteriores à palavra»
Notável entrevista de/a Mário Crespo, SicN, Jornal das 21h, 30 de Outubro. A ouvir e ouvir aqui
31/10/09
Edições Fundação Calouste Gulbenkian

Se não tivermos o/s livro/s que pretende, desxta ou de o0utra editora, deixe-nos a sua encomenda pessoalmente ou pelos emails omundoemgavetas@gmail.com ou patio.omeg@gmail.com
Para o continente enviamos pelo correio sem acréscimo no preço.
30/10/09
sábado 31, 17h - MÚSICA e POESIA

Interpretes:
Maria Salomé Guerreiro (declamadora)
José Gonçalves (tenor)
José Vareda (tenor)
Joaquim Castilho (acordeonista)
com AL GHARB - RUA de MARÉS - poesia singela mas muito densa e sentida, da autoria de Lia Correia, uma algarvia genuína, nascida em Quarteira.
27/10/09
ler e respirar 12

A eterna juventude de um clássico
A editora “tinta da China” acaba de publicar a contra-corrente dos “best-sellers” indígenas que nos impingem, o extraordinário “Os cadernos de Pickuick” tradução um tanto ou quanto livre dos “Postumous Papers of the Pickuick club” um dos mais célebres títulos de Dickens (e dos que lhe rendeu mais dinheiro...).
Propor aos leitores este livros é a tarefa mais fácil e mais simpática que esta semana me cabe levar a cabo. Acreditem que este livro merece estar ao lado dos grandes, dos verdadeiros, dos “a sério”, sejam eles o Quixote, a Cartuxa de Parma, ou o À procura do tempo perdido.
De vez em quando faz bem ler um livro desopilante, um manancial da melhor picaresca inglesa, uma descrição do que me atrevo a chamar uma viagem iniciática. E iniciática a tudo: á vida, ao humor, a Dickens, e a nossa comum e mortal condição humana.
Eu tenho deste livro uma recordação nebulosa. Não admira: li-o há cerca de quarenta anos na velha edição da Romano Torres (sd) com o título aliciante de “As aventuras extraordinárias do sr. Pickuick”.
Ao ver esta nova edição, fui buscar o meu velho exemplar à estante e resolvi dar a mim próprio um presente para celebrar o “indian summer” já que reservo o S Martinho para as castanhas e o vinho novo. E portanto vou ler o livro convosco se é que vos posso convencer a embarcar com Pickuick, o estudioso da vida dos girinos numa lagoa cerca de Hampstead, os seus extravagantes companheiros do clube Pickuick, numa Inglaterra cheia de surpresas e aventuras com raptos, noivas, duelos, encontros imediatos do primeiro grau com toda a classe de pícaros e charlatães a que não falta uma espécie de Sancho Pança, ou de Passepartout (cito Verne, se me permitem).
Leiam este livro, comprem-no já, e terão sido mais, muito mais, do que escuteiros: é um grande livro, é uma pedrada no charco da edição tristonha que temos, é um verdadeiro e eterno clássico, está bem escrito e vão-se divertir como cabindas.
Ah, esquecia-me, ao comprá-lo, provam que é possível apoiar uma editora pequena interessada na cultura e não em mercadoria vagamente literária. Que grande programa!
23/10/09
Domingo às 17h - a não perder, no Pátio de Letras
George Steiner, erros, provas & parábolas

«All errata is a falsehood final.»George Steiner, Proofs And Three Parables (1992)
O relato inicial apresenta-nos um «revisor de provas» italiano, cujo rigor profissional, de mais de trinta e cinco anos, convertera num «mestre do ofício». Ignoramos o seu nome ou a cidade onde vive. Só sabemos que a militância comunista de décadas lhe granjeara o título de Professore. A história fictícia da personagem acaba por se demudar na história verdadeira de pessoas reais, de carne e osso, que a memória dos homens esqueceu. A queda do muro de Berlim, difundida pela televisão, vai gerar um longo diálogo entre protagonista e um sacerdote católico sobre os erros e mentiras do marxismo e do cristianismo, cometidos pelas leis dos homens e de Deus. O resultado do debate é inconclusivo. Terá de ser o leitor a exercer o privilégio de decidir quais os actores mais adequados para promover uma eficaz «revisão de provas da história».
A série termina com o «Excerto de uma conversa» travada entre dois estudiosos do Talmude. Mestre e discípulo discutem o problema do livre arbítrio do Homem face à presciência de Deus, focado no drama de Abraão de sacrificar Isaac ou na vanidade do Todo Poderoso testar a fé do seu humilde servo. A diferença fulcral entre os crentes da Torah e dos Evangelhos reside, talvez, no facto do Deus de Moisés não se ter coibido de matar todos os primogénitos do Egipto para garantir o êxodo do povo eleito para a terra santa, ao invés do Deus do Nazareno que ofereceu a vida do filho unigénito em sacrifício à cruz romana para salvar a humanidade.
21/10/09
18/10/09
Tertúlia Café Oceano, 5ª feira 22, às 18h30
15/10/09
Sábado 17, 22h, no Pátio - AMAR GUITARRA
12/10/09
ler e respirar 11

E se passássemos às coisas sérias?
Os leitores desculparão. Sei que em Faro, as eleições foram braviamente disputadas, que S. Macário deu à costa sem naufrágio nem males de maior e que tudo isso é excitante.
Todavia, para lá desses momentos de frisson eleitoral, dessa brevíssima pausa eleitoral, fica o resto. E o resto somos nós, a nossa circunstância, algo mais duradouro que ultrapassa em muito a vida da polis. E por aí começamos.
Na polis, na verdadeira, na grega, o teatro era muito mais do que um espectáculo. Era algo de sagrado. Algo que remetia para os mitos fundadores da cidade, para a eminente dignidade dos homens que se viram obrigados a criar a ética para responder ás acções imprevisíveis e desconcertantes de deuses que inventaram (e abusaram) todos os vícios.
O teatro, a alma da poesia, manteve intacto o seu esplendor, ao longo dos séculos. Riu-se dos poderosos em Roma, derrotou preconceitos pela voz do advogado Pathelin, exaltou as virtudes populares com Gil Vicente, o heroísmo anónimo de Fuenteovejuna, e por aí fora.
No recanto, por mais recôndito que seja, em que humanos se juntem, à débil luz de duas pobres brasas, o teatro acontece pela voz de um ancião, de um griot, de um comediante. Não admira: nós acreditamos nas histórias e no enorme poder que elas têm. Moldaram as nossas infâncias, fizeram-nos esquecer maus momentos e, quando acontecem num estrado á nossa frente, o milagre da palavra viva, toca-nos a todos e cada um numa absurda mas calorosa comunhão com o actor, com o poeta e com a multidão á nossa volta na noite matricial e cúmplice.
Em Portugal há uma editora, uma editora corajosa, impar, com um catálogo exemplar, que dedica ao teatro muito, quase tudo do que nesse domínio se publica entre nós. Hoje falaremos apenas de um desses milagres. Do milagre norueguês: Henrik Ibsen. Um autor do século XIX que morre nos alvores do século XX. Um autor cuja radical modernidade se mantém intacta, pese embora o forte pendor simbolista de muitas das suas obras. Ibsen, exilado voluntário, conseguiu causar escândalo na estreia de praticamente todas as suas peças. A coragem, a depurada poesia, a audácia, a denúncia do provincianismo dos valores vitorianos ( estamos no século XIX!!!) foram constantes da sua vida.
Seria bom poder ver as suas obras todas em palco. Até lá, há na “cotovia” (passarinho melodioso e simpática) três belos volumes de “peças escolhidas”. Vale a pena. Vale mesmo a pena. E parece que a editora pondera vender os três volumes num pacote económico. Se assim for, nem hesitem. E se não for, paciência: o prazer também tem um preço.6ª f às 21h30 apresentação de "Os nossos dias"
Esta 6ª feira, dia 16 de Outubro, pelas 21h30, temos o prazer de receber no Pátio de Letras a apresentação do livro de Miguel Godinho Os nossos dias seguido de Os lugares Antigos.
O livro de poesia, o primeiro de Miguel Godinho, editado pela 4águas, será apresentado por João Bentes, também ele poeta e o evento de apresentação contará com uma performance de Rui Cabrita (actor) sobre os poemas do livro e com projecção multimédia de Daniel Almeida.
Estão todos convidados para este evento com alguns dos mais promissores criadores da cidade. Será, com certeza, a não perder.
Os nossos dias seguido de Os Lugares Antigos de Miguel Godinho é o mais recente livro da 4águas Editora e uma das "estrelas" nas estantes de poesia do Pátio de Letras.
Novidades! Sempre a chegar...
Como Proust Pode Mudar a Sua Vida é um livro prático destinado a ajudar as pessoas a serem mais felizes: como amar a vida hoje? Como exprimir as emoções? como ser um bom amigo? são alguns dos temas tratados no livro. Botton parte do livro de Proust Em Busca do Tempo Perdido para falar sobre estes temas.
"O Mar em Casablanca", de Francisco José Viegas,
"Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?",
de António Lobo Antunes, Ed. Dom Quixote
"A Cabana", de Wm. Paul Young, Ed. Porto Editora
"O Solista", de Steve Lopez, Ed. Estrela Polar
"A Sombra do Que Fomos", de Luís Sepúlveda,
Ed. Porto Editora
"Os Ensinamentos de Confúcio",
"O Mundo é Curvo",
de David M. Smick, Ed. Presença06/10/09
Carlos Ruiz Zafón, Marina e os mistérios de Barcelona
Carlos Ruiz Zafón, Marina (1999)«Marina me dijo una vez que sólo recordamos lo que nunca sucedió.»
A pedra de toque novelesca é-nos transmitida por uma «borboleta negra de asas abertas», gravada nos lugares mais bizarros ou a esvoaçar à volta das personagens mais nebulosas, nos momentos mais insólitos da intriga. Atrás de si paira sempre o fedor dos pântanos e dos poços envenenados. Pormenor reiterado à exaustão pela instância narrativa, a fim de balizar a luta sem quartel pela sobrevivência. É que, como é sugerido, a diabólica Teufel, habitante de torres, caves e túneis privados de luz, tem a capacidade de ressuscitar de entre os mortos. Enterra o corpo antes dessa metamorfose macabra e alimenta-se depois das próprias crias.
Quando a leitura termina, esquecemo-nos de que «todos os contos são mentiras, mas que nem todas as mentiras são contos», e sentimos uma vontade muito forte de partir à descoberta de Barcelona, a cidade misteriosa, na esperança vã de vislumbrar o Grande Teatro Real, o Palacete de Sarriá ou a Torre do Parque Güell, ao encontro dos palcos em que se representaram as cenas mais marcantes do drama. Sentimos o impulso imperioso de nos sentarmos ao volante de um velho Tucker dos anos cinquenta, à procura da praia secreta virada para o Mediterrâneo, local idílico que os heróis pisaram uma única vez, a meio da sua história de amor, e onde Óscar verá lançar as cinzas de Marina, produto final da sua história de morte.











