(*) a partir dos 7 anos
ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas
AGENDA
06/10/10
Colecção Filosofia para Crianças: realmente NOTÁVEL
(*) a partir dos 7 anos
António Damásio - livros em promoção
05/10/10
Álvaro Guerra, Trilogia dos Cafés: primeiro folhetim – República...
«Eu tinha pensado chamar-lhe Café Central, mas quando encomendei a tabuleta ao Praga de Mãe, ele veio com aquelas falinhas mansas, que a República tinha sido implantada há duas semanas, que era um nome bonito e poderoso, e tal e coisa. E, olhe, deixei-me convencer.»Álvaro Guerra, Café República (1982)
O painel inicial da «Trilogia dos Cafés» remete-nos para o período compreendido entre as duas guerras mundiais. Aquele em que o novo regime deu os primeiros passos incertos e desajeitados para, logo de seguida, dar um trambolhão colossal que lhe custaria quase meio século de aturado esforço a recuperar e a levantar-se. Entre o atentado de Sarajevo e a rendição do Reich alemão, a República Portuguesa vitoriosa no 5 de outubro de 1910 acabou por cair no 28 de maio de 1926 e ser revezada pelo Estado Novo. A revolução nacional dos militares façanhudos de Braga a abrir o caminho ao professor de Coimbra e futuro ditador de Lisboa sem direito a nome. Ao invés do duce italiano, do fürer germânico e do caudillo espanhol, o anunciado salvador da pátria (mais um) e enfático mentor da «casinha portuguesa» só será referido por perífrases depreciativas feitas à medida do presidente do conselho, filho de Santa Comba e senhor de São Bento, o Manholas, o Botas, o chefe. Excecionalmente, uma criança de dois anos soletrará Sanazar e Beatriz Costa cantará Falazar numa revista do Parque Mayer. A inocência e a irreverência de mãos dadas.
A fábula é uma incursão da história fingida na verdadeira, um «ciclo de pequenas histórias» coligidas no Folhetim do mundo vivido em Vila Velha (1914-1945). Assim reza o subtítulo do romance inaugural do tríptico. É também uma saga de sagas, uma crónica de crónicas, uma gesta de gestas. É o relato aturado das efemérides dessa terra de pescadores e campinos, de lavradores e ganhões, de literatos e políticos, de fidalgos e plebeus, situada a 50Km da capital, cercada a norte por quintas, casais e cabeços e a sul por lezírias, rios e ribeirão. Espaço cénico criado num espaço dramático real. Palco ideal para declamar as inexoráveis misérias dos povos, as vividas pelas famílias nucleares e as comentadas nas tertúlias oficiais. As casas grandes e pequenas a deslocarem-se, conforme os ditames sociais e modismos vigentes, para a farmácia, a mercearia, a filarmónica, o clube, a barbearia e o café do burgo. Sobretudo este último, ribalta singular do sentir coletivo dos borda-d’água e ponto nevrálgico de todo o tecido narrativo, o revolucionário Café República, depois transformado no conservador Café Central. A censura e a tortura, as prisões e as deportações, a caça às bruxas e a queima de livros soaram mais forte no espírito avisado do proprietário, que preferia vê-lo de portas abertas às cavaqueiras certas dos clientes do que às devassas incertas da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.
Neste contexto novelesco, de corte neorrealista tardio, são dados muitos vivas à república, a portuguesa e a espanhola. Depois a coragem das personagens de papel e tinta cede passo às pressões das personalidades de carne e osso. Os vivas à coisa pública repetem-se todos os anos, como um ritual obrigatório que o uso tem despido de sentido e a apatia vulgarizado. O desejado ainda se mantém nessa ilha encantada coberta pelo nevoeiro. Na Vila Velha de então como neste nosso mundo novo de agora, o compasso de espera a marcar o ritmo lento dos dias...
04/10/10
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29/09/10
NOVIDADES
Estas são algumas das mais recentes novidades chegadas ao Pátiode Letras:
Trilogia O Século, A Queda dos Gigantes - Livro I, de Ken Follett, Presença
1822, de Laurentino Gomes, Porto Ed.
Dez Mil Guitarras, de Catherine Clément, Porto Ed.
Justiça Fiscal, de Saldanha Sanches, FFMS
Dentro de Mim Faz Sul, de Ondjaki, Caminho
A Tempestade, de William Boyd, Casa das Letras
Novo Dicionário do Islão, de Margarida Santos Lopes, Casa das Letras
Para Interromper o Amor, de Mónica Marques, Quetzal
Livro, de José Luís Peixoto, Quetzal
Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa, Dom Quixote
Memórias Secretas da Rainha D. Amélia, de Miguel Real, Dom Quixote
O Médico de Córdova, de Herbert Le Porrier, Bizâncio
Revista EXIT nº 39 visitar o site aqui: http://www.exitmedia.net/
"Eu Roubei o Sta. Maria" - apresentação e debate com José António Barreiros e Camilo Mortágua
19/09/10
"O outro lado da história do assalto ao Santa Maria", n' O Público
LANÇAMENTO: 22 Set., 18h30 Museu de Marinha, Lisboa
APRESENTAÇÂO: 2 de Out., 21h30 Pátio de Letras, Faro
16/09/10
Imagens da Homenagem a Francisco Zambujal no Pátio de Letras
Intervieram também por parte da "mesa", os caricaturistas intervenientes na pintura do painel de azulejos que no dia 8 de Outubro será colocado na "sala Francisco Zambujal", na escola de São Luís:
15/09/10
POLÉMICO: "EU ROUBEI O STA. MARIA
02/09/10
República - a visão do historiador Fernando Rosas
01/09/10
Faro homenageia Francisco Zambujal
Às 23:30, decorre na Sociedade Recreativa “Os Artistas” a inauguração da mostra «Os Políticos e as Artes, a sociedade na caricatura de Francisco Zambujal».
O programa de homenagem encerra dia 7 de Setembro, Dia da Cidade de Faro, com a inauguração da Rua Francisco Zambujal, às 12:00.»
George Steiner, o transporte para São Cristóvão de A. H...

«When I turned against the Jews, nobody came to his aid. Nobody...»George Steiner, The Portage to San Cristóbal of A. H. (1979)
O título, algo obscuro para quem desconheça os meandros da controvérsia, remete-nos para um enigmático A. H., que o leitor desprevenido identificará, e bem, com o protagonista do relato. A sigla, mantida estrategicamente no reino das incógnitas, só será desenvolvida, com todo o recato, sem muitas pressas e parcelarmante, no final do terceiro capítulo, que termina com as palabras «Herr Hitler». O alegado nome completo do «homem muito velho», capturado no fim do mundo, no interior da selva amazónica, entre o Brasil e a Bolívia, só será documentado por extenso bastante mais à frente e sem grandes pudores. O mistério da identidade da personagem novelesca estava desvendado, altura de deslocar o centro das atenções para a identificação da personalidade histórica retratada. Questionar a versão oficial da morte do chanceler alemão com a verdade dos factos vividos em privado no derradeiro dia do mês de abril de 1945 no Füherbunker de Berlim. Averiguar, em suma, se o cadáver semicarbonizado ali encontrado pelas tropas soviéticas corresponderia ao do ditador derrotado ou ao de um mero duplo que terá sido sacrificado em seu nome.
A «narrativa ficcional» desenvolvida por Steiner envereda, precisamente, por esta última hipótese, resumida no conhecido princípio literário da «ucronia» definido por Umberto Eco, i. e., imaginar «o que teria acontecido se aquilo que realmente aconteceu tivesse acontecido de maneira diferente»*. Neste caso concreto, medir as consequências da sobrevivência de A. H. ao III Reich e posterior refúgio na floresta virgem sul americana. O seu transporte para São Cristóvão é, tão somente, a primeira etapa de uma peregrinação maior que o leitor está arredado de seguir. Os preparativos de um julgamento supranacional são referidos, as dificuldades processuais adiantadas, as pressões políticas asseguradas. A vontade exercida pela instância narrativa ou a economia do discurso remetem-nos para o universo das suposições nunca concretizadas. É que um dos segredos da arte de contar histórias com palavras reside nos silêncios que consegue espalhar ao seu redor.
Lido o texto, inteiramo-nos que o romancista-ensaísta põe na boca dos atores do drama um conjunto de tópicos recorrentes e sobejamente comentados. Os nomes de deus, os erros da palavra, a questão judaica, as memórias da história, a música e as coordenadas do tempo. Alguns outros se poderiam agregar. Fiquemo-nos por aqui. O problema da comunicação entre os homens está patente em todo o corpus textual, materializado no cruzamento de línguas, culturas, fontes e testemunhos em confronto. O poder de argumentação posto ao dispor do fantasma-vivo de A. H. como mestre da palavra é surpreendente e motivo de todas as polémicas. A verdade almejada habitará com certeza no interior desse labirinto feito de conceções contraditórias. O problema está em conseguir alcançá-la sem recorrer à intervenção divina, tão ausente do nosso quotidiano desde que os redatores do(s) Livro(s) das revelações compuseram o derradeiro parágrafo. Na visão do criador, este Transporte «é uma parábola sobre a dor (...) a dor da recordação, a imperativa mas intolerável dor da lembrança». Por isso foi «escrita com dor». Não o duvidamos, conhecendo minimamente a crueza dos factos. A leitura da «fábula» poderá também ela ser fonte de dor. Tudo depende dos olhos que leem, da forma como veem e do modo como sentem.


































