ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

26/01/14

5ª f, 20 Fev, às 18h30, no Pátio de Letras: "Os Donos angolanos de Portugal - ap. por F. Louçã




















«Os Donos Angolanos de Portugal» - Bertrand, 2014 - é a mais completa abordagem, até hoje ,às formas concretas de poder e influência do capital angolano em Portugal e da importância das relações dos grupos económicos portugueses com a família e o regime de José Eduardo dos Santos.
O livro analisa o processo de acumulação primitiva em Angola e faz o inventário dos grandes articuladores do investimento em Portugal: Isabel dos Santos, Manuel Vicente, António Mosquito, José Leitão, o general Kopelipa. Em cada caso, são apresentados os seus principais parceiros e investimentos.
É ainda contada a história especial do grupo Espírito Santo, dos seus contactos chineses e russos e da sua turbulenta aliança com o regime de José Eduardo dos Santos.

12 Fev, 4ª f, 18h30 no Pátio: Palestra / Evocação dos 500 anos de O Príncipe, de Nicolau Machiavel





















Sessão com a Dra. Ebe Francioni e o Dr. Luciano Paci, no âmbito do Projecto Lusitália.

No site Geat Books, documentário com texto e produção de Dale Minor (colaboração do Center for the Book, Library of Congress, USA)

Uma iniciativa da ACTA/Projeto Lusitalia, com o Pátio de Letras

21/01/14

Novidades editoriais














BARBA ENSOPADA DE SANGUE
Daniel Galera

O protagonista afasta-se da relação conturbada com os seus familiares e mergulha no isolamento. Ao mesmo tempo, empreende uma busca pela verdade no caso da morte do avô, que teria sido assassinado décadas antes em Garopaba, à época apenas uma vila de pescadores.

Quetzal, 17.70€

HAV
Jan Morris

Este livro levará o leitor a uma cidade do Mediterrâneo oriental onde seguramente nunca esteve. Hav, a cidade-estado imaginária, atraiu ao longo dos séculos os mais intrépidos viajantes — de Ibn Batuta a Richard Burton — e inspirou uma vasta galeria de artistas — de Chopin a Joyce.

Tinta da China, 23€

BOM CAMINHO
Fausta Cardoso Pereira

Este é o relato pessoal de uma peregrina que percorreu duas vezes o caminho português para Santiago de Compostela, e traça um diário de motivações, experiências, ganhos e perdas, de razões que fazem afinal tanta gente tão diferente procurar esta experiência comum e absolutamente individual.

Planeta, 13.30€

INFRAVERMELHO
Nancy Huston

Rena Greenblatt é artista, repórter e fotógrafa especialista em infravermelho. Numa semana de férias na Toscana, esperam-na as paisagens e as obras de arte mas também uma avalanche de memórias.

Sextante, 16.60€

OS DONOS ANGOLANOS DE PORTUGAL
Jorge Costa, João Teixeira Lopes, Francisco Louçã

A interligação entre os capitais portugueses e angolanos não tem paralelo na história do pós-colonialismo. Este processo de reciclagem da riqueza apropriada pela família de José Eduardo dos Santos e pela elite que a rodeia realiza a maior transformação do capitalismo português actual.

Bertrand, 15.50€

JUDEUS ILUSTRES DE PORTUGAL
Miriam Assor

Numa extraordinária viagem do século XV ao século XX, a autora conta a história de 14 judeus proeminentes e como cada um deles contribuiu, enriqueceu, dignificou e honrou o país, marcando o universo nacional e além-fronteiras.

Esfera dos Livros, 17€

SONHO GRANDE
Cristiane Correa

O relato detalhado da trajectória de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira (1.º, 4.º e 8.º homens mais ricos do Brasil), desde a fundação do banco Garantia até hoje. A fórmula de gestão que desenvolveram baseia-se na meritocracia, na simplicidade e numa incessante redução de custos.

Marcador, 15.50€

INOVAÇÃO EM PORTUGAL
Manuel Mira Godinho

Portugal investe actualmente cerca de 2.500 milhões de euros por ano em investigação científica e tecnológica e desde há mais de uma década que a palavra inovação se instalou no discurso empresarial e nos das politicas públicas. Neste contexto, a presente obra propõe uma avaliação do estado da inovação no nosso país.

FFMS, 10€

Novidades editoriais













O LOBO DE WALL STREET
Jordan Belfort

A autobiografia do jovem corretor de Wall Street que nos anos 90 se sobrepôs à lógica da economia, manipulou o mercado bolsista e ganhou uma fortuna incalculável. A história foi adaptada ao cinema por Martin Scorsese, com Leonardo Di Capprio como protagonista.

Presença, 19.90€

HOTEL ANAIDAUG
Fernando Pessanha

Num breve enredo inspirado na história do mais antigo hotel do Algarve – O Hotel Guadiana –, Fernando Pessanha propõe uma narrativa e uma realidade paralelas.

4 Águas, 3€

MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA INÉDITO…
Tânia Martuscelli

Um estudo dedicado em dar a conhecer poemas, manifestos e ensaios inéditos de Leiria, poeta surrealista de fins dos anos 40 e reconhecido contista dos best-sellers "Contos do Gin Tónico" e "Novos Contos do Gin".

Colibri, 15€

CASOS DO BECO DAS SARDINHEIRAS
Mário de Carvalho

O Beco das Sardinheiras é um beco como outro qualquer, encafuado na parte velha de Lisboa. Uns dizem que é de Alfama, outros que é já da Mouraria e sustentam as suas opiniões com sólidos argumentos topográficos, abonados pela doutrina de olisiponenses egrégios. Eu, por mim, não me pronuncio.

Porto Ed., 13.30€

O QUE OS MÉDICOS NÃO LHE DIZEM
Lynne McTaggart

Uma grande percentagem dos tratamentos médicos que tomamos por garantidos nunca foram cientificamente comprovados como eficazes. Lynne McTaggart expõe a disseminação de práticas médicas não comprovadas e, muitas vezes, perigosas e oferece perspectivas alternativas de diagnóstico.

Marcador, 18.50€

MEMÓRIAS DO OUTONO OCIDENTAL
Adriano Moreira

"O que ajuda a esquecer que é o Ocidente que está em decadência, que a violenta crise europeia é parte de uma crise mundial sem precedente, e que os países como Portugal vêem crescer a situação de Estados exógenos, exíguos, atingidos pela linha da pobreza que fez renascer o limes romano ao Norte do Mediterrâneo. " In Prefácio

Almedina, 34.90e

UMA INVESTIGAÇÃO FILOSÓFICA ACERCA DA ORIGEM DAS NOSSAS IDEIAS DO SUBLIME E DO BELO
Edmund Burke

Em 1757, Burke alargou os princípios das teorias do gosto e os cânones da crítica do seu tempo, e antecipou temas que viriam a ter um lugar predominante nas teorias estéticas subsequentes.

Ed. 70, 14.90€

SE DEUS FOSSE UM ACTIVISTA DOS DIREITOS HUMANOS
Boaventura de Sousa Santos

Neste livro centro-me nos desafios aos direitos humanos quando confrontados com os movimentos que reivindicam a presença da religião na esfera pública. Estes movimentos, crescentemente globalizados, e as teologias políticas que os sustentam constituem uma gramática de defesa da dignidade humana que rivaliza com a que subjaz aos direitos humanos e muitas vezes a contradiz.

Almedina, 14.90€

03/01/14































Nestes primeiros dias de 2014, vimos desejar aos amigos e clientes do Pátio de Letras um fantástico Ano Novo, com muitos e bons livros!

Aproveitamos para informar que o bar vai estar encerrado durante o mês de Janeiro, para remodelações de fundo. Em Fevereiro volta a abrir portas, com nova gerência, e muitas surpresas.

Não se esqueça das promoções do Pátio, que chegam aos 50%, e da nossa selecção de livros a começar nos 2€! Venha visitar-nos, partilhe connosco a paixão pelos livros!

02/01/14

Italo Calvino: Se numa noite de inverno um viajante iniciasse uma história sem fim à vista…

«Se una notte d’inverno un viaggiatore, fuori dell’abitato di Malbork, Sporgendosi dalla costa scoscesa, senza temere il vento e la vertigine, guarda in basso dove l’ombra s’addensa, in una rete di linee che s’allacciano, in una rete di linee che s’intersecano, sul tappeto di foglie illuminato dalla luna, intorno a una fossa vuota – Quale storia attende laggiù la fine?»
Italo Calvino, Se una notte d’inverno un viaggiatore (1979)
Todo aquele que se interessar pelos universos da escrita e da idealização de histórias fingidas deve procurar na sua livraria habitual, na biblioteca mais próxima ou no recanto esquecido duma estante de arrumar palavras escritas em livros o contributo valioso de Italo Calvino, Se numa noite de inverno um viajante (1979), publicado algumas décadas atrás, mas sempre atual nas reflexões nele contidas. Trata-se dum relato que nos exibe o incipit de dez outros relatos com muitas intrigas para contar. Todos têm um início registado nas páginas do volume a que o leitor tem acesso, mas nenhum deles lhe oferece um final tranquilizador das tramoias anunciadas. Exercício fascinante para quem entende a literatura como um desafio constante da imaginação para dar sentido aos labirintos da vida e às lacunas do dia-a-dia. 

O romance que alberga a promessa gorada duma mão cheia doutros mais no seu seio provocou, de imediato, uma acalorada discussão polémica na república global das letras, cujos ecos ainda se deixam ouvir com alguma nitidez nos nossos dias, a três décadas e meia de distância da editio princeps. A recensão crítica publicada na altura por Angelo Guglielmi numa revista da especialidade levou o criador italiano a ripostar com uma longa reflexão explicativa das questões arroladas, transcrita como apresentação da obra na reedição que segui. A réplica faz-se acompanhar duma chave de leitura pessoal do autor, esquissada em termos esquemáticos e facilitadores da tarefa decifradora encetada por um leitor menos prevenido. Trata-se duma iniciativa interessante em termos editoriais, mas limitadora da autonomia dos viajantes reais em interpretarem os viajantes virtuais equacionados pela ficção de ficções. 

Enquanto projeto diegético de definição e descrição autoral dum livro com livros dentro, a aproximação mimética aos palcos que pisamos e cenários que preenchemos, feita de dramas que começam e não acabam, remete-nos para um vasto políptico verbal de mexericos tecidos em dez painéis. Romances da névoa, da experiência corporal, do simbólico-interpretativo, do político-existencial, do cínico-brutal, da angústia, do lógico-geométrico, da perversão, do telúrico-primordial, do apocalíptico. Percurso guiado pelas rotas poéticas da invenção relatada, a que um mero caminheiro amante dos trilhos ignotos dará pouca ou nenhuma importância. A busca da plenitude sentida pelo fabulador, através dos olhares que perscrutam o absurdo, a transparência ou as origens do cosmos, não se compagina num esquema académico previamente traçado. É peculiar, única, singular. Tal como a criação artística, afinal de contas. 

Teorias à parte, a personagem Eu sai do interior da ficção que protagoniza e dirige-se ao leitor que a tem entre mãos nas páginas dum livro. Convida-o a entrar na trama. Fala-lhe do enredo e comenta as opções tomadas pelo autor que lhe deu vida. A passagem dumas histórias-encaixadas para outras processa-se por meio dum entrecruzar de vozes, que têm na história-moldura uma porta de acesso privilegiada ao universo virtual do faz de conta que é assim. A transição de fragmentos recorre a uma bem-urdida teia de percalços editoriais e de atribuições apócrifas, superando com sucesso os perigos das mudanças constantes de argumentos lacunares ou de folhetins de cordel desirmanados, entregues periodicamente de porta em porta. Dédalo discursivo esboçado à maneira dum Jorge Luis Borges ou dum Edgar Alain Poe, arquitetos da palavra referidos por Italo Calvino no pré-texto que antecede a fábula propriamente dita, a que se pode agregar uma alusão implícita ao Ulisses de James Joyce, a tal epopeia em prosa distribuída por dezoito capítulos de diferente delineamento estilístico. 

É verdade que a história nuclear que une a totalidade das laterais até acaba em casamento. Um coup de foudre muito oportuno para selar o happy end ofertado aos dois leitores compulsivos de romances. Prémio de consolação pouco sedutor para quem gosta de imitações de vida com princípio, meio e fim. Por esta ordem ou por outra. Desconfio que o próximo livro que ler terá de obedecer a este triângulo operacional. É clássico e tem funcionado lindamente nos dois últimos milénios de devir poético do género. Porque a missão de ser leitor dispensa, lindamente, a missão de ser escritor. Num mundo tão complexo como aquele em que os heróis da ficção nos tentam copiar a todo o custo, a vitória do ócio sobre o negócio é uma hipótese que não se deve descartar do nosso horizonte de expetativas.

07/12/13

Sáb., 14 Dez., : Apresentação do romance vencedor do Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes 2013






















Luís Alexandre, farense, escreve em jornais e blogs sobre temas de cidadania e tem obra publicada na área do ensaio:"Faro: a serpente de duas cabeças comeu as maçãs", ed. Arandis, 2013. Actualmente reside e trabalha em Albufeira. É Presidente da ACOSAL – Associação de Comerciantes e Serviços de Albufeira. Este é o seu primeiro romance publicado e foi galardoado com o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes, atribuído pela C.M. Portimão.

02/12/13

Valter Hugo Mãe: pinceladas de desumanização na história da irmã gémea da criança bonsai

«Venho para te cortar os dedos em moedas pequenas e com elas pagar ao coração o mal que me fizeste. O pior amor é este, o que já é feito de ódio também…»
Valter Hugo Mãe, A desumanização (2013)
É assombroso o número de autores e obras que ouvimos referir todos os dias, com os melhores elogios que a língua falada permite tecer, sem termos passado os olhos por nenhuma linha de palavras por si desenhadas com caracteres tipográficos. Se, como dizem, o ato de ler está em crise nos dias que correm, a capacidade de escrever, em contrapartida, está mais forte do que nunca. Prolifera como os cogumelos silvestres em terreno húmido. Valter Hugo Maia surgiu no meu quadro de referências como uma dica de leitura, proferida à beira-mar e em tempo de praia, no cenário duma conversa despreocupada a cheirar a protetor solar e com a boca lambuzada duma bola-de-berlim. O tal que tinha uma queda muito peculiar para manejar a prosa poética e cujo nome deveria grafar-se com iniciais minúsculas. Ao que parece, porque a abolição das maiúsculas tornaria mais célere o registo e decifração das mensagens. Opiniões. Declino seguir tais experimentalismos já gastos pelo uso, até porque não a vi concretizada uma só vez no volume d’A desumanização (2013), o romance que tenho entre mãos e me abriu as portas para os universos narrativos do escritor luso-angolano, com créditos ainda firmados como vocalista num grupo musical e outras habilidades mais nas artes protegidas pelas musas. 

Alguém que trata a literatura por tu há longa data confiou-me sentir uma profunda deceção pelo rumo tomado pelos novos talentos da ficção portuguesa, pela tendência de só se identificarem de facto com a matriz cultural do país que os viu nascer ou crescer por mero acaso ou descuido. O desenraizamento seria total e programático. Acredito na autenticidade do aviso que me foi transmitido em tom de lamento sentido sem, todavia, o poder confirmar ou refutar integralmente. O hábito arreigado de me manter fiel aos vultos já consagrados nestas lides das letras que contam histórias tem-me afastado do convívio dos que ocupam o horizonte ainda longínquo duma canonização futura. A minha entrada neste universo inventivo do terceiro milénio, materializada no relato em apreço, veio dar certa razão ao diagnóstico traçado em jeito de boca provocatória, de boutade divertida, ou de sarcasmo dorido. Coincidências ou talvez não. Os dados estão lançados na pesquisa e os resultados à vista. A incursão noutros instâncias narrativas destas gerações das derradeiras pós-modernidades terá de esperar por novas oportunidades. 

A verdade é que o relato se faz no idioma materno, que aprendeu a modelar com sotaque africano e europeu ao longo de quatro décadas e picos de aprendizagens existenciais, mas com localização na remota Islândia, país de vulcões semiadormecidos e de géiseres bem-acordados, de charnecas geladas, de montanhas cobertas de neve, de fiordes talhados pela força telúrica dos glaciares em perpétuo movimento. Podia situar-se na Cochinchina, na Patagónia ou nas paragens recônditas das Terras-do-Nunca, que o efeito de exótico pretendido estaria sempre garantido. Fala-se na Ilha-do-Gelo do Atlântico Norte com o mesmo à-vontade como se falaria da Terra-do-Fogo do Atlântico Sul ou de qualquer outro Finisterræ sem localização precisa num mapa real de terras concretas ou idealizadas. Liberdade criativa perfeitamente legítima na república das letras que, aliás, não põe em causa a qualidade intrínseca à fábula e da tessitura verbal com que é urdida. Um longo monólogo interior da protagonista, completado com um ou outro breve diálogo exterior travado com os deuteragonistas. Memória dolorosa composta com uma mão-cheia de imagens reunidas numa infindável metáfora continuada de duzentas e tantas páginas. Histórias de amor-morte e de paixão-ódio, dicotomias escolhidas para definir a humanidade dos seres pensantes ou a desumanização da sua passagem pela vida. Recordações amargas da irmã gémea da menina bonsai, aquela que foi tragada pela boca de deus antes de tempo, aquela que ao partir deixou o mundo divido por metade ao seu redor, aquela que foi plantada para que germinasse de novo e não germinou. 

Depois de concluídos os relatos da menos morta das crianças, o artífice das histórias fingidas conta-nos outra verdadeira. Pessoal. Fá-lo numa nota de autor dirigida aos leitores. Quando nasceu já o seu irmão Casimiro havia morrido. Durante toda a infância imaginou-o à sua imagem. Especular. Sabia-o deitado na terra como se fosse uma semente. E achou que dele brotaria um dia um fruto. Podia ter sido um pêssego, mas não foi. Dessa árvore concebida até à idade adulta surgiu um livro. Este de que se fala. Pretexto para fabricar uma declaração de amor extensível a um país de rara sensibilidade e beleza estética. Esquisita. As raízes, afinal, estavam presentes na fábula desde os primeiros momentos, ainda que fincadas nos fiordes gelados do oeste islandês.