ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

03/01/14































Nestes primeiros dias de 2014, vimos desejar aos amigos e clientes do Pátio de Letras um fantástico Ano Novo, com muitos e bons livros!

Aproveitamos para informar que o bar vai estar encerrado durante o mês de Janeiro, para remodelações de fundo. Em Fevereiro volta a abrir portas, com nova gerência, e muitas surpresas.

Não se esqueça das promoções do Pátio, que chegam aos 50%, e da nossa selecção de livros a começar nos 2€! Venha visitar-nos, partilhe connosco a paixão pelos livros!

02/01/14

Italo Calvino: Se numa noite de inverno um viajante iniciasse uma história sem fim à vista…

«Se una notte d’inverno un viaggiatore, fuori dell’abitato di Malbork, Sporgendosi dalla costa scoscesa, senza temere il vento e la vertigine, guarda in basso dove l’ombra s’addensa, in una rete di linee che s’allacciano, in una rete di linee che s’intersecano, sul tappeto di foglie illuminato dalla luna, intorno a una fossa vuota – Quale storia attende laggiù la fine?»
Italo Calvino, Se una notte d’inverno un viaggiatore (1979)
Todo aquele que se interessar pelos universos da escrita e da idealização de histórias fingidas deve procurar na sua livraria habitual, na biblioteca mais próxima ou no recanto esquecido duma estante de arrumar palavras escritas em livros o contributo valioso de Italo Calvino, Se numa noite de inverno um viajante (1979), publicado algumas décadas atrás, mas sempre atual nas reflexões nele contidas. Trata-se dum relato que nos exibe o incipit de dez outros relatos com muitas intrigas para contar. Todos têm um início registado nas páginas do volume a que o leitor tem acesso, mas nenhum deles lhe oferece um final tranquilizador das tramoias anunciadas. Exercício fascinante para quem entende a literatura como um desafio constante da imaginação para dar sentido aos labirintos da vida e às lacunas do dia-a-dia. 

O romance que alberga a promessa gorada duma mão cheia doutros mais no seu seio provocou, de imediato, uma acalorada discussão polémica na república global das letras, cujos ecos ainda se deixam ouvir com alguma nitidez nos nossos dias, a três décadas e meia de distância da editio princeps. A recensão crítica publicada na altura por Angelo Guglielmi numa revista da especialidade levou o criador italiano a ripostar com uma longa reflexão explicativa das questões arroladas, transcrita como apresentação da obra na reedição que segui. A réplica faz-se acompanhar duma chave de leitura pessoal do autor, esquissada em termos esquemáticos e facilitadores da tarefa decifradora encetada por um leitor menos prevenido. Trata-se duma iniciativa interessante em termos editoriais, mas limitadora da autonomia dos viajantes reais em interpretarem os viajantes virtuais equacionados pela ficção de ficções. 

Enquanto projeto diegético de definição e descrição autoral dum livro com livros dentro, a aproximação mimética aos palcos que pisamos e cenários que preenchemos, feita de dramas que começam e não acabam, remete-nos para um vasto políptico verbal de mexericos tecidos em dez painéis. Romances da névoa, da experiência corporal, do simbólico-interpretativo, do político-existencial, do cínico-brutal, da angústia, do lógico-geométrico, da perversão, do telúrico-primordial, do apocalíptico. Percurso guiado pelas rotas poéticas da invenção relatada, a que um mero caminheiro amante dos trilhos ignotos dará pouca ou nenhuma importância. A busca da plenitude sentida pelo fabulador, através dos olhares que perscrutam o absurdo, a transparência ou as origens do cosmos, não se compagina num esquema académico previamente traçado. É peculiar, única, singular. Tal como a criação artística, afinal de contas. 

Teorias à parte, a personagem Eu sai do interior da ficção que protagoniza e dirige-se ao leitor que a tem entre mãos nas páginas dum livro. Convida-o a entrar na trama. Fala-lhe do enredo e comenta as opções tomadas pelo autor que lhe deu vida. A passagem dumas histórias-encaixadas para outras processa-se por meio dum entrecruzar de vozes, que têm na história-moldura uma porta de acesso privilegiada ao universo virtual do faz de conta que é assim. A transição de fragmentos recorre a uma bem-urdida teia de percalços editoriais e de atribuições apócrifas, superando com sucesso os perigos das mudanças constantes de argumentos lacunares ou de folhetins de cordel desirmanados, entregues periodicamente de porta em porta. Dédalo discursivo esboçado à maneira dum Jorge Luis Borges ou dum Edgar Alain Poe, arquitetos da palavra referidos por Italo Calvino no pré-texto que antecede a fábula propriamente dita, a que se pode agregar uma alusão implícita ao Ulisses de James Joyce, a tal epopeia em prosa distribuída por dezoito capítulos de diferente delineamento estilístico. 

É verdade que a história nuclear que une a totalidade das laterais até acaba em casamento. Um coup de foudre muito oportuno para selar o happy end ofertado aos dois leitores compulsivos de romances. Prémio de consolação pouco sedutor para quem gosta de imitações de vida com princípio, meio e fim. Por esta ordem ou por outra. Desconfio que o próximo livro que ler terá de obedecer a este triângulo operacional. É clássico e tem funcionado lindamente nos dois últimos milénios de devir poético do género. Porque a missão de ser leitor dispensa, lindamente, a missão de ser escritor. Num mundo tão complexo como aquele em que os heróis da ficção nos tentam copiar a todo o custo, a vitória do ócio sobre o negócio é uma hipótese que não se deve descartar do nosso horizonte de expetativas.

07/12/13

Sáb., 14 Dez., : Apresentação do romance vencedor do Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes 2013






















Luís Alexandre, farense, escreve em jornais e blogs sobre temas de cidadania e tem obra publicada na área do ensaio:"Faro: a serpente de duas cabeças comeu as maçãs", ed. Arandis, 2013. Actualmente reside e trabalha em Albufeira. É Presidente da ACOSAL – Associação de Comerciantes e Serviços de Albufeira. Este é o seu primeiro romance publicado e foi galardoado com o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes, atribuído pela C.M. Portimão.

02/12/13

Valter Hugo Mãe: pinceladas de desumanização na história da irmã gémea da criança bonsai

«Venho para te cortar os dedos em moedas pequenas e com elas pagar ao coração o mal que me fizeste. O pior amor é este, o que já é feito de ódio também…»
Valter Hugo Mãe, A desumanização (2013)
É assombroso o número de autores e obras que ouvimos referir todos os dias, com os melhores elogios que a língua falada permite tecer, sem termos passado os olhos por nenhuma linha de palavras por si desenhadas com caracteres tipográficos. Se, como dizem, o ato de ler está em crise nos dias que correm, a capacidade de escrever, em contrapartida, está mais forte do que nunca. Prolifera como os cogumelos silvestres em terreno húmido. Valter Hugo Maia surgiu no meu quadro de referências como uma dica de leitura, proferida à beira-mar e em tempo de praia, no cenário duma conversa despreocupada a cheirar a protetor solar e com a boca lambuzada duma bola-de-berlim. O tal que tinha uma queda muito peculiar para manejar a prosa poética e cujo nome deveria grafar-se com iniciais minúsculas. Ao que parece, porque a abolição das maiúsculas tornaria mais célere o registo e decifração das mensagens. Opiniões. Declino seguir tais experimentalismos já gastos pelo uso, até porque não a vi concretizada uma só vez no volume d’A desumanização (2013), o romance que tenho entre mãos e me abriu as portas para os universos narrativos do escritor luso-angolano, com créditos ainda firmados como vocalista num grupo musical e outras habilidades mais nas artes protegidas pelas musas. 

Alguém que trata a literatura por tu há longa data confiou-me sentir uma profunda deceção pelo rumo tomado pelos novos talentos da ficção portuguesa, pela tendência de só se identificarem de facto com a matriz cultural do país que os viu nascer ou crescer por mero acaso ou descuido. O desenraizamento seria total e programático. Acredito na autenticidade do aviso que me foi transmitido em tom de lamento sentido sem, todavia, o poder confirmar ou refutar integralmente. O hábito arreigado de me manter fiel aos vultos já consagrados nestas lides das letras que contam histórias tem-me afastado do convívio dos que ocupam o horizonte ainda longínquo duma canonização futura. A minha entrada neste universo inventivo do terceiro milénio, materializada no relato em apreço, veio dar certa razão ao diagnóstico traçado em jeito de boca provocatória, de boutade divertida, ou de sarcasmo dorido. Coincidências ou talvez não. Os dados estão lançados na pesquisa e os resultados à vista. A incursão noutros instâncias narrativas destas gerações das derradeiras pós-modernidades terá de esperar por novas oportunidades. 

A verdade é que o relato se faz no idioma materno, que aprendeu a modelar com sotaque africano e europeu ao longo de quatro décadas e picos de aprendizagens existenciais, mas com localização na remota Islândia, país de vulcões semiadormecidos e de géiseres bem-acordados, de charnecas geladas, de montanhas cobertas de neve, de fiordes talhados pela força telúrica dos glaciares em perpétuo movimento. Podia situar-se na Cochinchina, na Patagónia ou nas paragens recônditas das Terras-do-Nunca, que o efeito de exótico pretendido estaria sempre garantido. Fala-se na Ilha-do-Gelo do Atlântico Norte com o mesmo à-vontade como se falaria da Terra-do-Fogo do Atlântico Sul ou de qualquer outro Finisterræ sem localização precisa num mapa real de terras concretas ou idealizadas. Liberdade criativa perfeitamente legítima na república das letras que, aliás, não põe em causa a qualidade intrínseca à fábula e da tessitura verbal com que é urdida. Um longo monólogo interior da protagonista, completado com um ou outro breve diálogo exterior travado com os deuteragonistas. Memória dolorosa composta com uma mão-cheia de imagens reunidas numa infindável metáfora continuada de duzentas e tantas páginas. Histórias de amor-morte e de paixão-ódio, dicotomias escolhidas para definir a humanidade dos seres pensantes ou a desumanização da sua passagem pela vida. Recordações amargas da irmã gémea da menina bonsai, aquela que foi tragada pela boca de deus antes de tempo, aquela que ao partir deixou o mundo divido por metade ao seu redor, aquela que foi plantada para que germinasse de novo e não germinou. 

Depois de concluídos os relatos da menos morta das crianças, o artífice das histórias fingidas conta-nos outra verdadeira. Pessoal. Fá-lo numa nota de autor dirigida aos leitores. Quando nasceu já o seu irmão Casimiro havia morrido. Durante toda a infância imaginou-o à sua imagem. Especular. Sabia-o deitado na terra como se fosse uma semente. E achou que dele brotaria um dia um fruto. Podia ter sido um pêssego, mas não foi. Dessa árvore concebida até à idade adulta surgiu um livro. Este de que se fala. Pretexto para fabricar uma declaração de amor extensível a um país de rara sensibilidade e beleza estética. Esquisita. As raízes, afinal, estavam presentes na fábula desde os primeiros momentos, ainda que fincadas nos fiordes gelados do oeste islandês.

27/11/13

Ondjaki no Pátio














Ondjaki passou pelo Pátio no início desta semana. Para nosso privilégio, contou histórias, conversou, e autografou livros de muitos fãs e admiradores que encheram de calor a livraria.
Na imagem, o presente oferecido por uma turma que encena para a festa de Natal um dos livros do autor: “Ynari, a Menina das Cinco Tranças”
Mais fotos da sessão aqui.

Novidades nas estantes do Pátio















A MISTERIOSA MULHER DA ÓPERA
Vários

Sete autores. Sete personagens inesquecíveis. Uma única história arrebatadora que contém de tudo, desde crimes misteriosos, o fantasma de uma avó violinista, flûtes de champanhe, e um gato persa chamado Psiché.

Casa das Letras, 14.31€ em vez de 15.90€

A FILHA DAS FLORES
Vanessa da Mata

Romance de estreia de uma das grandes figuras da música popular brasileira. Neste romance de estreia, Vanessa da Mata demonstra uma incrível destreza linguística e a capacidade de criar uma história atmosférica e magnética.

Quetzal, 16.60€

DICIONÁRIO DE LUGARES IMAGINÁRIOS
Alberto Manguel, Gianni Guadalupi

Um guia indispensável para viajar na literatura. De Atlântida a Xanadu, passando pelo Castelo, de Kafka, e pelo País das Maravilhas. Uma obra de viagens a lugares sonhados.

Tinta da China, 29€

A PORTAS DA PERCEPÇÃO
Aldous Huxley

Um dos textos mais inspiradores para a contracultura americana dos anos 60. Registo minucioso de alterações sensoriais e ensaio filosófico que aborda os efeitos libertadores da mescalina, é uma obra visionária sobre o funcionamento da mente e o desejo de transcendência do ser humano.

Antígona, 15€

BÉLA TARR: O TEMPO DO DEPOIS
Jacques Rancière

Rancière reúne 5 textos acerca da filmografia do realizador húngaro Béla Tarr, contemplando filmes como O Cavalo de Turim, O Tango de Satanás, As Harmonias de Werckmeister e Danação.

Orfeu Negro, 12€

ENSAIOS SOBRE FOTOGRAFIA
De Niépce a Krauss
Alan Trachtenberg

Este livro que reúne ensaios fundamentais da teoria da fotografia, organizados por Alan Trachtenberg.

Orfeu Negro, 25€

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA SAÚDE NO ALGARVE
António Rosa Mendes, A. Paulo Dias Oliveira, Cristina Fé Santos (org.)

Um conjunto de trabalhos que vai permitir um maior conhecimento da área da saúde, do ponto de vista cultural, patrimonial, histórico e sociológico.

UAlg, 12€

CANTINHO DO AVILLEZ, AS RECEITAS
José Avillez

Receitas fáceis de preparar e fotos divertidas que dão a conhecer o ambiente descontraído do Cantinho do Avillez e a boa disposição da equipa do Chef Avillez.

Esfera dos Livros, 19€

Novidades infanto-juvenis











HISTÓRIAS DE PIRATAS, CORSÁRIOS E OUTROS HERÓIS TEMERÁRIOS
Vários

Em busca dos mais valiosos tesouros do mundo, eles vivem grandes aventuras, contra os inimigos que se cruzam no seu caminho.

Asa, 11.17€ em vez de 13€

UM NATAL DE ENCANTAR
Marta Cancela, Fátima Buco

Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura - Apoio a Projectos Relacionados com Natal. Canta as melodias, prepara receitas deliciosas, faz decorações para a árvore.

Texto 9.90€ em vez de 11€

365 PINGUINS
Jean-Luc Fromental, Joelle Jolivet

Um dia chega uma encomenda a casa da família. Surpresa! É um pinguim. No dia seguinte, chega mais um. E no dia seguinte... TODOS os dias há mais um pinguim lá em casa! É uma loucura, façam as contas!

Orfeu Mini, 15€

450 PIADAS = 1 MILHÃO DE RISADAS
Vários

Se ousares folhear este livro não escaparás... Com anedotas hiperanimadas e ilustrações mega-engraçadas, o resultado só poderia ser 1 milhão de risadas!

Booksmile, 12.49€

QUARTA VIAGEM AO REINO DA FANTASIA
Geronimo Stilton

O último ovo de dragão foi roubado e se for destruído a estirpe dos dragões extinguir-se-á. Temos de partir! Há desafios à nossa espera com mil aventuras emocionantes no Reino da Fantasia!

Presença, 22.20€

FAIRY OAK – FLOX SORRI NO OUTONO
Elisabetta Gnone

A nova colecção Fairy Oak está a conquistar os corações de milhares de jovens portugueses.  Uma história de amizade, danças bizarras e cores.

Planeta, 15.50€

OS DESCOBRIDORES DO MUNDO
Sérgio Luís de Carvalho

Bem-vindo às aventuras d’Os Descobridores do Mundo - uma viagem pelo nosso passado que abre muitas janelas para todos os oceanos e continentes!

Planeta, 12.95€

HOJE, O CHEFE SOU EU
Vários

Uma edição com muito para cozinhar, descobrir e saborear com receitas de 15 grandes chefes. O livro contém um avental de criança com a frase estampada Hoje, o Chefe Sou Eu!

Caminho das Palavras, 11.90€

21/11/13

Ondjaki: Prémio Saramago 2013 no Pátio




















Na próxima 2ª feira ao fim da tarde, a livraria Pátio de Letras recebe, para uma conversa informal com o público, o escritor angolano Ondjaki, vencedor do Prémio Saramago 2013 com o romance "Os Transparentes".

O encontro está marcado para dia 25 de Novembro às 18h, numa oportunidade rara de encontro com o escritor, actualmente radicado no Rio de Janeiro. É também o segundo galardão que o escritor recebe este ano, depois do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil.

Ondjaki editou recentemente "Uma Escuridão Bonita", ilustrado por António Jorge Gonçalves. “São dois jovens que estão numa varanda em Luanda e falta luz. As pessoas pensam que é uma escuridão metafórica, mas não, é uma escuridão de verdade. E todo o livro é uma conversa durante essa escuridão. É um livro de afetos, de ternuras e tem uma ilustração muito bonita”, diz Ondjaki.

"Os Transparentes" foi publicado em 2012 e, segundo Vasco Graça Moura, surpreende pela "maneira como a sua utilização da língua portuguesa é, não só capaz de captar com a maior naturalidade as mais diversas situações num contexto social tão diferente do nosso, mas comporta em si mesma fermentos de uma inovação que espelha com força e realismo um quotidiano vivido na sua trepidação e também funciona eficazmente ao restituí-lo no plano literário".

A sessão vai ser apresentada pela Professora Doutora Adriana Nogueira (UAlg).