ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

11/01/13

4ª, 16 Jan. 21h30: Tertúlia/debate “Violência dentro da Família”




















Tertúlia/debate no BartiCafé dedicada a vários temas relacionados com a violência dentro da família: sobre as crianças, os idosos, entre cônjuges, as suas consequências e como evitar tais comportamentos.
Participação dos elementos coordenadores do Grupo de Trabalho da Violência ao Longo do Ciclo de Vida - psicólogas Daniela Machado e Marta Chaves. Quem não puder comparecer, poderá participar aqui na secção videochat do site, entrando à hora marcada.
A tertúlia é organizada no âmbito do programa de apoio à parentalidade “Uma Janela Aberta à Família”, da ARS Algarve em parceria com os hospitais públicos da região.

Sáb., 19 Jan. 17h30: Apresentação do livro de A. Rosa Mendes “O que é Património Cultural”


“O que é Património Cultural”

O património cultural, núcleo da identidade colectiva, não só possibilita que nos reconheçamos mas também que sejamos reconhecidos. É ele que caracteriza, diferencia e distingue a fisionomia física e moral de um lugar, uma cidade, uma região, um país – que sem ele ficam desprovidos de individualidade e autónoma personalidade.

António Rosa Mendes é Professor na na FCHS de UAlg, director da biblioteca UAlg, coordena o mestrado em História do Algarve e o Centro de Estudos de Património e História do Algarve (CEPHA).

O autor fará ainda uma breve apresentação de outros dois títulos recentes da Gente Singular, disponíveis no Pátio: "Maria Veleda" e "Castro Marim, Dos Fortes Reza A História".

Novidades literárias





















BEATLES EM PORTUGAL
Luis Pinheiro de Almeida, Teresa Lage

Um livro-documento ou inventário das ligações dos músicos daquela banda a Portugal, com inclusão de entrevistas que os dois autores fizeram aos Beatles. Recorda ainda a origem de Yesterday e Penina, ambas compostas ou pensadas em passagens por Portugal.
Documenta, 23

BREVES NOTAS SOBRE A CIÊNCIA…
Gonçalo M. Tavares

Edição cartonada que reúne as três “enciclopédias” escritas por Gonçalo M. Tavares. Breves Notas sobre a Ciência (2006), Breves Notas sobre o medo (2007) e Breves Notas sobre as ligações (2009) são colectâneas de notas, num género inclassificável, em que o autor analisa os temas com humor, crítica e um raciocínio construído simultaneamente a partir da lógica e do absurdo.
Relógio D’Água, 24€


GERMANIA (ed. bilingue)
Tácito

Escrita em 98, esta é uma monografia histórica de tipo salustiano, muito inspirada também na obra De bello Gallico de César. Não se trata de um fragmento das Historiae, nem de uma crítica aos costumes romanos, nem de uma novela sobre os malefícios da civilização, como chegou a admitir-se. É, fundamentalmente, um trabalho historiográfico sobre os Germanos.

Vega, 12.72€

ELOGIO DA LOUCURA (ed. bilingue)
Erasmo de Roterdão

Uma obra marcante, escrita por uma das maiores figuras do Renascimento, agora em nova e excelente tradução, feita directamente do latim. Intemporal, como todos os grandes clássicos, nela se disseca a natureza humana do ser da época que pouco ou nada difere do ser actual, uma vez que podemos encontrar os mesmos sinais de irracionalidade e loucura que Erasmo de Roterdão tão bem satirizou.
Vega, 19.61

DE NADA
Alberto Pimenta

Primeiro audiolivro do grande poeta e performer Alberto Pimenta. Aos 74 anos, o escritor regressa aos poemas curtos para um diálogo urgente sobre as notícias do dia e de sempre, sempre as mesmas. Como o grafito que ilustra a capa, este livro inscreve-se na linha de resistência a que as autoridades chamam vandalismo.
Boca, 16€

A RAPARIGA SEM CARNE
Jaime Rocha

“Ela afasta os lençóis. O seu rosto tornara-se um pouco mais escuro, adquirira um tom esverdeado. Há qualquer coisa nela de malsão, de não humano. Para Mateus, as cicatrizes daquele corpo já não se assemelham a cortes sarados mas a sinais de nascença ou a marcas de sangue dos antepassados.“
Relógio D’Água, 12€

UM HOMEM INQUIETO
Henning Mankell

Kurt Wallander nunca foi o género de homem que se sente à vontade em eventos sociais, mas algo na festa do 75º aniversário de Håkan von Enke o deixa mais desconfortável. O aniversariante parece desejoso de lhe falar de um episódio da sua carreira que, passados quase trinta anos, permanece envolto em mistério. O mistério adensa-se quando Håkan desaparece sem deixar rasto...
Presença, 22.20€

METADE MAIOR
Julieta Monginho

Uma obra-prima de ironia, de sensibilidade, de subtileza. Tecido de pequenos traços - mas traços indeléveis na memória e no fascínio dos leitores - este é um livro que dá eco a uma multiplicidade de vozes, de gargalhadas, de melancólicos murmúrios também. Como um grande circo chegado da infância de cada um de nós, como a memória de um épico Fellini.
Estampa, 14.90€

PEDACINHOS DE OSSOS
Manuel de Freitas

Novo livro de Manuel de Freitas,  director da pequena editora de poesia Averno, e um dos directores da revista Telhados de Vidro, publicação da editora. Além de se dedicar à poesia, escreve sobre livros no Expresso e tem colaboração dispersa em várias revistas literárias portuguesas.
Averno, 14€

O QUE É PATRIMÓNIO CULTURAL
António Rosa Mendes

O património cultural de que somos herdeiros, núcleo da identidade colectiva, não só possibilita que nos reconheçamos mas também que sejamos reconhecidos pelos demais. É ele que caracteriza, diferencia e distingue a fisionomia física e moral de um lugar, uma cidade, uma região, um país – que sem ele ficam desprovidos de individualidade e autónoma personalidade.
Gente Singular, 10€


DROGAS E PROPINAS - Avaliações de Impacto Legislativo
Vários

Pretende-se avaliar o impacto de duas leis: a Lei n.º 37/2003 de 22 de Agosto, ou “Lei do Financiamento do Ensino Superior” e a Lei n.º 30/2000 de 29 de Novembro, dita “Lei da Droga”, aplicando a metodologia recomendada pela Comissão Europeia. A avaliação legislativa é uma importante ferramenta que permite aos policy makers avaliar os custos e benefícios esperados de um determinado acto legislativo.
FFMS, 20€/5€ (versão completa/reduzida)

A CRIANÇA PERANTE A MORTE DOS PAIS
Paddy Greenwall Lewis, Jessica G. Lippman

Este guia absolutamente único está organizado em função de um calendário que cobre o primeiro e difícil ano de luto. Trata-se de uma obra calorosa, de profunda compreensão, mas ao mesmo tempo prática, que visa ajudar as famílias e os membros da comunidade que convivem com a criança a lidar com as inúmeras dificuldades suscitadas pela morte de um dos progenitores.
Vega, 16.96€

ESTÉTICA DIGITAL
Sintopia da Arte Ciência e Tecnologia
Claudia Giannetti

Partindo de uma análise dos antecedentes e dos novos paradigmas estéticos, Cláudia Giannetti aborda as novas tendências da pesquisa artística acerca da interactividade como um dos fenómenos mais característicos da arte e da tecnologia. Neste sentido, Estética Digital é uma obra de referência para compreender o momento actual e pensar o contexto futuro da arte digital.
Vega, 15.90€


AS NOVAS ESCOLAS
Vários

“Novas Escolas” são formas diferentes de organização da escola ou do sistema de ensino, na possibilidade de escolha da escola pelas famílias, na organização e autonomia da escola, no financiamento, etc., que têm emergido em vários países do mundo. Estas escolas têm mais ou menos sucesso que as outras? Serão estes modelos melhores do que um modelo centralizado? Em que medida e em que aspectos?
FFMS, 5€

A AVALIAÇÃO DOS ALUNOS
Vários

“A avaliação está e continuará a estar na ordem do dia. Sobre ela, alunos, professores, directores de escolas, especialistas da educação, decisores governamentais e pais terão a sua própria opinião, que, apesar de algum consenso recente sobre as vantagens dos exames, está longe de ser unânime” Carlos Fiolhais, FFMS
FFMS, 5€

SEM CRESCIMENTO NÃO HÁ CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL
Emanuel Augusto dos Santos

“O livro que o Dr. Emanuel dos Santos agora nos apresenta não poderia portanto ser mais oportuno. Ele não se distingue todavia apenas pela oportunidade: a sua qualidade é uma característica ainda mais relevante. “
José da Silva Lopes
Sílabo, 13.50€

05/01/13

«50 livros que toda a gente deve ler»


«Não há listas perfeitas. Escolher 50 livros (ou 100) implica sempre deixar de fora muitas obras igualmente importantes - ou até mais importantes - que poderiam com toda a justiça estar no lugar destas. Conscientes de que é impossível agradar a gregos e a troianos, pretendemos fazer uma seleção equilibrada, com natural predomínio dos clássicos (essas obras que já passaram o crivo do tempo e entraram no cânone), mas também com algumas apostas pessoais dos colaboradores, escolhas talvez menos óbvias e que esperamos possam corresponder a surpresas e descobertas.

Estes 50 títulos foram fixados após um processo de sobreposição de várias listas. A ordem em que aparecem não reflete qualquer juízo de valor comparativo. E uma coisa é certa: mais ou menos consensuais, todos os livros sugeridos têm uma qualidade literária acima de qualquer suspeita.»


Texto publicado na revista Atual (semanário Expresso) de 18 de Agosto de 2012

Ver os títulos (alguns com capas de edições antigas) aqui

04/01/13

Os livros de 2012: escolhas de O Público

 (sem ordem gradativa)

- “1Q84” livro 2 e livro 3, de Haruki Murakami (Casa das Letras)

- “A Arte de Viver à Defesa”, de Chad Harbach (Civilização)

- “A Confissão da Leoa”, de Mia Couto (Caminho)

- “A Instalação do Medo”, de Rui Zink (Relógio D'Água)

- “A Lebre de Olhos de Âmbar”, de Edmund de Waal (Sextante)

- “A Mão do Diabo” de José Rodrigues dos Santos (Gradiva)

- “A Piada Infinita” de David Foster Wallace (Quetzal)

- “A Poesia do Pensamento. Do Helenismo a Celan”, de George Steiner (Relógio D'Água)

- “A Rapariga Sem Carne”, de Jaime Rocha (Relógio D'Água)

- “A Terceira Miséria”, de Hélia Correia (Relógio D'Água)

- “A Travessia”, de Cormac McCarthy (Relógio D'Água)

- “Agora e na Hora da Nossa Morte”, de Susana Moreira Marques (Tinta da China)

- “Aniki-Bobó”, de Manuel António Pina (Assírio & Alvim)

- “Arco-Íris da Gravidade”, de Thomas Pynchon (Bertrand)

- “As Cinquenta Sombras de Grey” de E. L. James (Lua de Papel)

- “As Minhas Lembranças Observam-me”, de Tomas Tranströmer

(Sextante)

- “Até ao Fim da Terra”, de David Grossman (D. Quixote)

- “Axilas e Outras Histórias Indecorosas”, de Rubem Fonseca (Sextante)

- “Cafuné” de Mário Zambujal (Clube do Autor)

- “Camilo Íntimo - Cartas inéditas de Camilo Castelo Branco ao Visconde de Ouguela", com prefácio de A. Campos Matos e posfácio de João Bigotte Chorão (Clube do Autor)

- “Contos Completos”, de Lydia Davis ( Relógio D'Água)

- “Dentro de Ti Ver o Mar”, de Inês Pedrosa ( D. Quixote)

- “Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte” de José Luís Peixoto (Quetzal)

- “Diários” de Al Berto (Assírio & Alvim)

- “Estação Central”, de José Tolentino Mendonça (Assírio & Alvim)

- “Já Então a Raposa era Caçador”, de Hertha Müller (D. Quixote)

- “Jesus Cristo Bebia Cerveja“, de Afonso Cruz (Alfaguara)

- “Joseph Anton”, de Salman Rushdie (D. Quixote)

- “Limonov”, de Emmanuel Carrère ( Sextante)

- “Mazagran”, de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

- “Mel”, de Ian McEwan (Gradiva)

- “Num Lugar Solitário”, de Ana Teresa Pereira ( Relógio D'Água)

- “O Bom Soldado Švejk” de Jaroslav Hasek (Tinta da China)

- “O Coleccionador de Mundos”, de Ilija Trojanow (Arkheion)

- “O Legado de Humboldt”, de Saul Bellow (Quetzal)

- “O Mentiroso”, de Henry James ( Sistema Solar)

- “O Murmúrio do Mundo”, de Almeida Faria (Tinta da China)

- “O Novíssimo Testamento e Outros Poemas”, de Jorge Sousa Braga (Assírio & Alvim)

- “O Sino da Islândia”, de Halldór Laxness (Cavalo de Ferro)

- “O Tempo Envelhece Depressa”, de Antonio Tabucchi ( D. Quixote)

- “O Teu Rosto Será o Último”, de João Ricardo Pedro (D. Quixote)

- “O Varandim seguido de Ocaso em Caravangel”, de Mário de Carvalho (Porto Editora)

- “Os Enamoramentos” de Javier Marias (Alfaguara)

- “Os Malaquias” de Andréa del Fuego (Porto Editora)

- “Os Portugueses no Holocausto”, de Esther Mucznik ( Esfera dos Livros)

- “Os Transparentes”, de Ondjaki (Caminho)

- “Persépolis”, de Marjane Satrapi (Contraponto)

- “Poemas para Leonor”, de Maria Teresa Horta (D. Quixote)

- “Poesia Reunida”, de Maria do Rosário Pedreira (Quetzal)

- “Poesia Reunida”, de Vasco Graça Moura (Quetzal)

- “Poesia”, de Daniel Faria (Assírio & Alvim)

- “Salazar e o Poder – A Arte de Saber Durar”, de Fernando Rosas (Tinta da China)

- “Sandokan & Bakunine”, de Bruno Margo ( Teorema)

- “Se Fosse Fácil Era para os Outros”, de Rui Cardoso Martins (D. Quixote)

- “Teoria Geral do Esquecimento”, de José Eduardo Agualusa (D. Quixote)

- “Todas as Palavras”, de Manuel António Pina (Assírio & Alvim)

- “Trás-os-Montes” de Tiago Patrício (Gradiva)

- “Um Piano para Cavalos Altos”, de Sandro William Junqueira (Caminho)

- “Um Sopro de Vida (Pulsações)”, de Clarice Lispector (Relógio D’Água)

- “Uma Morte Súbita”, de J. K. Rowling ( Editorial Presença

02/01/13

“Dez bons livros para crianças e jovens publicados em 2012”, por Rita Pimenta, n' O PÚBLICO


«Privilegiámos as obras em que texto e imagem se conjugam numa harmonia feliz, quisemos divulgar novos autores e também pequenas editoras. Mas a qualidade foi o critério maior.
Entre poesia, fantástico, aventura, actividades e problemas existenciais na adolescência, aqui fica uma amostra do que se criou em Portugal durante o ano que agora termina. Alguns dos livros que se seguem foram sendo divulgados na página Crianças, nas edições de sábado, e no blogue Letra Pequena. Outros não. Ordenámos a selecção por ordem alfabética do título.

A melhor escolha, no entanto, é aquela que cada criança faz quando se passeia pelas livrarias. Com essa prática, há-de encontrar o livro certo.»

A Casa do João - Texto: João Manuel Ribeiro; Ilustração: João Vaz de Carvalho
Edição: Trinta Por Uma Linha; 32 págs., 12,50€

Inspirado na lengalenga A casa do João, dois “Joões” criaram um belo livro. Nesta casa, mora uma família com as idiossincrasias próprias de todas elas. Mas também ali habita a bruxa Mafalda, o Migalha (que é um cão), um rato e um gato, a Mariana e até um poeta. Para conhecer todos os seus habitantes, reais e imaginários, terá de se deter a observar as inconfundíveis imagens de João (Vaz de Carvalho) e as palavras sempre renovadas de João (Manuel Ribeiro).

Achimpa - Texto e ilustração: Catarina Sobral; Edição: Orfeu Negro; 40 págs., 14,90€

Depois de se estrear (e bem) com o livro Greve, Catarina Sobral criouAchimpa. Se o leitor não conhece a palavra, não se preocupe. Ou melhor, preocupe-se e tente descodificá-la. Segundo a narrativa da autora, o registo de “achimpa” foi encontrado “num velho e caquético dicionário”. Todos passaram a querer usar a nova palavra, mas não sabiam como.“Então, alguém se lembrou de perguntar à D.ª Zulmira (que tinha 137 anos) se ela conhecia aquela palavra esquisita.”E logo a senhora corrigiu quem perguntava. “Não é ‘achimpa’, mas ‘achimpar’, um verbo da primeira conjugação”, explicou prontamente. “Ao que parece, achimpava-se, sempre se tinha achimpado e achimpar-se-ia enquanto houvesse gente no mundo.” Uma ideia inteligente e divertida (sobretudo para quem gosta de palavras e de as estudar), envolta em ilustrações no mesmo tom.

Atenção! Sou Um Adolescente - Texto: Luísa Ducla Soares; Ilustração: Filipe Alves
Edição: Civilização Editora; 96 págs., 7,70€

O Gonçalo tem 13 anos e (diz a mãe) “não é carne nem peixe”. Para o motorista do autocarro em que vai para a escola, o melhor era a “miudagem” da idade dele “ser metida num armário fechado à chave e só sair de lá aos dezoito”. O mau feitio do motorista tem uma explicação: os jovens fogem de pagar bilhete porque gastaram o dinheiro do passe a carregar o telemóvel. A antipatia da mãe justifica-se por o marido se ter apaixonado por uma brasileira. O adolescente descreve-a desta forma, depois de um samba: “Comecei a pensar na minha mãe, sempre a trabalhar, pálida, cada vez mais magra, com o seu rabo de cavalo triste e não pude deixar de fazer comparações. O cabelo da brasileira cai-lhe pelas costas como uma cascata, leve, solto, cor de asa de corvo. Os olhos dela brilham e a pele, reluzente com cremes, cheira a baunilha. Mas quis afastar o pensamento…” Luísa Ducla Soares é assim, põe-se no lugar das personagens em crescimento e não tem preocupações em chocar mentalidades conservadoras. De parabéns está igualmente Filipe Alves, que criou ilustrações sóbrias para os momentos mais importantes da narrativa.

Mar - Texto: Ricardo Henriques; Ilustração: André Letria
Edição: Pato Lógico; 56 págs., 14,90€

A obra lança uma interrogação logo à partida: “Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque é que não se chama planeta Mar?” Segue-se um alfabeto temático, com água por todos os lados. Começa precisamente com a definição de “água” e acaba com a de “zooplâncton”. Em rigor, este livro é um “actividário” (actividades + abecedário), dizem os autores, que apresentam assim a co-autoria de Mar: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”. O tom das explicações de cada entrada é divertido, mas rigoroso. Ou seja, sério sem ser fúnebre. As propostas de actividades são variadas e criativas, podendo ir da observação de estrelas (“deita-te de papo para o ar numa noite estrelada e tenta descobrir Órion e outras constelações”) à construção de uma alforreca com uma bola velha de borracha (“faz uma alforreca utilizando materiais reutilizáveis”). Na contracapa, escreve-se: “As missões impossíveis são as únicas bem-sucedidas.” Palavras do marinheiro mais famoso de sempre: Jacques Cousteau.

No Labirinto do Minotauro/O Túmulo Perdido - Texto: Bárbara Wong e Ana Soares; Ilustração: Patrícia Furtado; Editora: Alfaguara/Objectiva; 168 págs., 11,90€

Uma colecção (já vai no terceiro volume) assinada pelas co-autoras do blogue Educar em Português, Ana Soares e Bárbara Wong, sobre os clássicos da mitologia grega. “Os miúdos vibram com vampiros, lobisomens, feiticeiros mas, na génese de tudo isso, estão os gregos, e eram esses que queríamos dar a conhecer”, disseram ao PÚBLICO pouco depois do lançamento dos dois primeiros volumes, em Julho. Os episódios vividos por cinco personagens que se aventuram pela Grécia e a quem os deuses irão confiar uma grande responsabilidade vão para além dos livros, tendo continuação/interacção no site Olimpvs.net. A série destina-se a leitores pré-adolescentes e adolescentes e houve a preocupação de criar materiais para os professores poderem explorar o universo dos diferentes títulos. Para Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura, é louvável o facto de se “transmitir aos jovens a importância da mitologia grega, cultura de que somos herdeiros, e de diluir as fronteiras entre o objecto livro e os novos suportes”.

O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca - Texto: Ana Pessoa; Ilustração: Bernardo Carvalho; Edição: Planeta Tangerina; 150 págs., 14€

Livro distinguido com o Prémio Branquinho da Fonseca 2011. “O Caderno Vermelho é, antes de mais, um caderno de apontamentos. Não é um diário com um discurso intimista e angustiado. É um caderno, no qual a N, lutadora, explora a sua criatividade e se liberta. Escreve sobre o irmão, sobre o karaté, sobre as amigas, mas também sobre o método científico, sobre o próprio caderno e inventa histórias que não têm nada que ver com o seu dia-a-dia. É uma personagem forte e autoconfiante, não anda mal com o mundo. Mas questiona-se sobre ele”, disse a autora, Ana Pessoa, ao PÚBLICO, em Agosto, para um trabalho em que sugerimos leituras de Verão. A obra iniciou a publicação “para mais crescidos” do Planeta Tangerina, na colecção Dois Passos e Um Salto, com ilustrações de Bernardo Carvalho. “Nunca pensei publicar um livro tão bonito, de capa dura, com ilustrações tão fantásticas.” Tudo verdade. “Quando terminei, não tinha a certeza se tinha escrito um livro juvenil. Eu queria que O Caderno Vermelho fizesse sentido para os outros, mas este não foi o ponto de partida. Interessa-me sobretudo escrever mais e melhor, não para um grupo-alvo específico.” Mas os jovens gostaram.

O Grande Chefe - Texto: Carlos Nogueira; Ilustração: David Pintor; Edição: Tcharan;
13 págs; 12,90€

Conhecido por todos como O Grande Chefe, o líder de uma aldeia fazia crer que “era o homem mais corajoso à face da Terra”. Dizia-se que “vencia demónios, bruxas e duendes maus, ogres do tamanho de árvores. Também se contava que ele obrigara a Morte a fazer uma promessa. A Morte, que a todos aterroriza e a quem ninguém escapa, prometera que nunca iria à aldeia procurar O Grande Chefe. O próprio Diabo, que vivia do outro lado da montanha, fugia dele”. Uma narrativa poética, com ironia sub-reptícia. Os leitores que nasceram há mais tempo não terão dificuldade em reconhecer as características despóticas de quem domina. Mas os líderes, tal como o desta história, também tombam. Aqui, com a ajuda de uma criança. Aplauso para a atmosfera quente criada pelas ilustrações de David Pintor.

Os Ciganos - Texto: Sophia de Mello Breyner Andresen e Pedro Sousa Tavares; Ilustração: Danuta Wojciechowska; Editora: Porto Editora; 64 págs., 18,80€

A parte inicial deste conto tem a assinatura de Sophia de Mello Breyner, foi descoberta por entre o seu espólio literário em 2009 e acredita-se, pela observação da caligrafia da autora, que date de meados dos anos 1960. Informações que a sua filha Maria partilha com os leitores numa nota prévia ao conto inédito Os Ciganos. Pedro, o neto de Sophia e sobrinho de Maria, teve “a ousadia” (palavras do próprio) de o completar. Fez bem (e fê-lo bem).
A história começa assim:“Era uma vez uma casa muito arrumada onde morava um rapaz muito desarrumado. E o rapaz tinha a impressão de que não era feito para morar naquela casa.” Um dia, “com o coração batendo, saltou o muro”. Descobriu os ciganos. Ainda que uma voz interior lhe repetisse “foge destes homens”, Ruy seguiu com eles. E é aqui que Sophia se cala.
Entra o neto, Pedro Sousa Tavares: “Nesse instante, as pernas saltaram-lhe para a frente, como se o seu corpo fosse agora uma marioneta, obedecendo a alguma força superior. Tropeçou em cada buraco do caminho. Fez estalar cada galho seco no chão. Por milagre, ninguém se apercebeu da algazarra (…).” A descrição continua até que o rapaz se esconda na carroça e siga viagem. O protagonista há-de voltar a casa mais sábio e habilidoso, assim decidiu o co-autor. As palavras de uma e outro (avó e neto) são grafadas a cores diferentes, azul para Sophia, preto para Pedro. E este espera que o livro seja “lido como um todo”. Objectivo alcançado. Uma nota para a ilustradora Danuta Wojciechowska, que ampliou e iluminou o sentido da narrativa. Com talento.

Pequeno Livro das Coisas - Texto: João Pedro Mésseder; Ilustração: Rachel Caiano
Edição: Caminho; 56 págs., 10,90€

Se há livros delicados, este é um deles. A poesia suave de João Pedro Mésseder, aliada à expressão subtil de Rachel Caiano, faz da leitura dePequeno Livro das Coisas um momento de desaceleração e paz. E não se pense que os leitores mais novos não aderem a essa mudança de ritmo. O poema a Sombra quieta é um bom espelho do convite a uma pausa: “Era uma vez uma sombra/ que não parava de estar quieta. / Quanto mais quieta estava/ mais o pobre corpo/ se mexia e saltava, esbracejava, corria./ Tomado pelo medo, / o corpo acabou por fugir/ daquele sinistro lugar. / Nunca mais ninguém o viu. / E a sombra?/ Ainda lá está. / Ali, naquele lugar.” Um livro para ler devagar.

Lucas Scarpone: Seis Fantasmas e Meio (1.ª parte) - Texto: Álvaro Magalhães; Ilustração Carlos J. Campos; Edição Asa; 112 págs., 8,50€

Tudo se passa no país imaginário Gatália, “em forma de bota” e “rodeado pelo mar”. Qualquer semelhança com Itália (não) é pura coincidência. Aí, vive o protagonista desta série. De seu nome Lucas Scarpone, um gato. Escreve, pesca e dorme a sesta. É mesmo o presidente do GAS – Gatos Amigos da Sesta. E tem um dom, se assim se lhe pode chamar: o de conseguir ver fantasmas. Eis o motivo por que acabará por se transformar num agente do CAT – Centro de Actividades Transcendentais. A descoberta de que os seus verdadeiros pais não são quem ele pensava e o acender de uma paixão vão alterar-lhe o destino. Já não pode viver sem Pandora, jornalista da Sexto Sentido, publicação que investiga casos paranormais. “Eles comem dois peixes apaixonados e também se ‘apeixonam’…” A primeira aventura está dividida em duas partes (dois volumes) e trata do seu primeiro caso. Álvaro Magalhães continua a imprimir ironia em todos os trabalhos que faz. Independentemente da idade do público a que se dirige, encontramos humor, crítica e elegância narrativa. Nesta série faz-se acompanhar (e bem) por Carlos J. Campos. Uma dupla que já assina em conjunto a colecção de inegável êxito Crónicas do Vampiro Valentim, com vendas na ordem dos cem mil exemplares e traduzida em espanhol e coreano. Prevê-se novo sucesso.