ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

11/11/08

sábado, 15 Nov, 17h00

Apresentação do livro de contos do Dr. Valério Bexiga, acabado de dar à estampa pela GSE.


A apresentação será feita por José António Barreiros, que prefaciou o livro e sobre ele escreveu:

"Este é um livro singular, saído dos prelos sob a chancela de uma editora que se chama Gente Singular.

É um livro notável, pelo que conta, pelo que sugere, pelo que pressupõe. Um livro destes pressupõe no leitor a capacidade de saber rir, mesmo de si próprio, pois estamos todos, os bons e os maus, os outros e os próprios, nas páginas destes contos. Mais do que contar o mundo alheio, é um instantâneo fotográfico, surpreendendo-nos em embaraçoso flagrante. (...)

Quem dera saber escrever assim!"

sábado 22 Nov. 17h00








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09/11/08

Nuno Júdice

Ontem, sábado 8 de Novembro, pelas 17h00, foi apresentado, no Pátio de Letras, o livro de poesia de Nuno Júdice, O Breve Sentimento do Eterno

A apresentação esteve a cargo de José Carlos Barros que, poeta e homem da cultura e pela cultura que é, brindou a assistência que encheu o Pátio com um belíssimo texto que contamos partilhar em breve aqui no blog. Nuno Júdice falou em seguida da sua escrita e deste livro em particular, ao qual, pela história da sua edição apodou, ironicamente, de "obra póstuma" e leu-nos vários dos sonetos que nele se incluem.

José António Barreiros, no início da sessão, fez uma breve introdução que ora reproduzimos .


"No início da década de sessenta uma nova geração soube libertar-se das limitações estéticas da arte socialmente comprometida, que o neo-realismo pastoreava. Não sem riscos, mesmo na Literatura.
Nessa altura, essa nova geração de universitários trouxe à escrita portuguesa um novo fôlego de modernidade, resgatando, pelo cosmopolitismo, quarenta anos de isolacionismo mental, mortos que estavam, entre naus e armaduras, os heróis do modernismo, saudosistas de um passado numa Nação entretanto sem futuro.
No início da década de sessenta um jovem atreveu-se a erguer a sua voz na poesia, arauto de uma proclamação, manifesto contra todos os que queriam na Arte política, na Literatura panfleto, na poesia hino. Nuno Júdice trouxe à vida cultural portuguesa o tema inquietante da inutilidade da poesia.
Inútil, porque não útil no sentido de utilizável. Inútil porque, do ponto de vista espiritual, indispensável. Inútil, enfim, porque no ângulo da fruição dos prazeres da vida, voluptuária.
Abertas as portas da liberdade poética, estava apontado o rumo a este novo criacionismo.
Minucioso artífice, esse jovem tinha diante de si, como tijolo para a sua edificação, a palavra; como cimento para edificar, a morfologia; como fio de prumo para a solidez da sua obra, a sintaxe.
Nuno Júdice foi arquitecto de um novo modo estruturado e geométrico de construir poesia. Sem ele tudo teria sido diferente. Nuno Júdice foi engenheiro no cálculo da resistência dos materiais, atrevendo-se na ponderação cinética do soneto, esse prodígio de equilíbrio poético montado sobre palafitas. Ousou edificar também, na extensão larga em que a volumetria da linha escrita se horizontaliza, aproximando visualmente a poesia da prosa, essa forma de dizer com a não comprida e economia de papel, assim o digam os editores.
Chegado a este ponto, este jovem que nasceu exactamente no mesmo ano que eu, viveu o tempo suficiente para, qual alma oriental errante no Ocidente esfíngico e fatal, fundir na caligrafia a estética do escrito, o conteúdo do dito e a beleza do modo de dizer.
Este é pois um livro sobre a palavra, um livro sobre a escrita, um livro sobre a caligrafia.
O Pátio de Letras tem a maior honra em acolher quem, tendo aprendido a desenhar letra por letra de cada palavra, em papel pautado a duas linhas, soube libertar-se do papel quadriculado da Literatura agrilhoada a uma causa e do papel branco da Literatura liberta de qualquer
efeito."

04/11/08

LUTO



Morreu João Resende, conhecedor profundo da história de Faro e da sua toponímia. Aqui deixamos preito de homenagem e enviamos condolências à família e amigos.

Sendo pai do actual Presidente da Sociedade Recreativa Artística Farense, figura de relevo na Semana dos Artistas e mentor da homenagem a Filipe Ferrer, que teria lugar hoje, a programação desta noite foi cancelada.

O programa prossegue amanhã, precisamente com o Pátio de Letras, pelas 22h00 8para ver a programação da semana clicar na imagem).

O Pátio de Letras na UALG

no próxima 5ª e 6ª feiras, dias 6 e 7, o Pátio de Letras terá uma banca de livros no 1º Encontro da AGECAL, a convite desta, encontro cujo tema é:
Que desenvolvimento cultural para o Algarve? (ver o horário e programa aqui)

temas dos livros que vamos ter à entrada do Auditório Teresa Gamito, na FCSH da UALG (campus de Gambelas): música, cinema, teatro, temas de cultura portuguesa, património, gestão cultural... enfim, cultura MUITA, para todos os gostos e para todas as bolsas...

Homenagem a José Louro


No próximo dia 7 de Novembro, 6ª feira, pela sua actividade de mais de 40 anos na cultura, ensino e acção cívica em Faro.
Promovida por um grupo de cidadãos da região, a sessão terá lugar durante um jantar a realizar no Restaurante Tira Gostos, situado na Praça da Paz .

inscrições: tel:289 822 324 (14h/19)

01/11/08

Mircea Eliade - Diário Português

Traduzido do romeno, disponível em português, editado pela Guerra & Paz. É o Diário Português de Mircea Eliade, correspondente ao período em que foi adido cultural da Embaixada da Roménia em Lisboa, nos anos da Segunda Guerra.
É um livro comovente, trágico pelo período histórico em que é escrito, sofrido pelo turbilhão de sentimentos em que o seu autor se envolve, controverso porque não há ângulo das suas reflexões, do seu psiquismo, das suas ânsias e pavores íntimos que dêem trégua ao leitor.
Tudo o que no humano é agónico está ali. Ao conformismo burguês, para quem as águas paradas da tranquilidade são consolo, mesmo quando palustres os afectos, e o sangue estagnado da vida por viver, seiva, mesmo quando gangrenado o espírito empreendor, este livro seguramente ofende: nada como o que é grande e generoso para gerar no outro o sentimento recriminador da pequenez mesquinha, ainda que mascarado pelo desprezo.
Mircea vive entre crises de casto misticismo pan-religioso e tendências orgiásticas permanentes, mistura venenosa que vai macerando no almofariz do seu profundíssimo amor por Nina, que lhe morre ao longo de cada página, numa agonia lenta, pontuada pelo repicar dos sinos da Igreja de Fátima, perto da qual, na Avenida Elias Garcia, viveram, os últimos anos em penúria económica. Poucos leitores se conseguirão equilibrar entre as fantasias e os remorsos pelo que surge, sugerido como através de um véu, numa escrita inconfessável, um perfume de libido triste.
Pior sucede para aqueles que na política vêem o princípio e o fim do único critério possível, incapazes de entenderem que o seu patriotismo tenha vivido em sobressalto constante ante a sujeição de Churchill a Estaline, a esperança de que Adolph Hitler conseguisse extirpar o paganismo eslavo, cuja vitória significaria para ele o fim desse enclave de latinos do oriente que foi a sua Pátria, a Roménia: por causa disso, quantos se recusarão a ler uma linha que seja do fascista, para o qual não pode haver sequer o benefício da compreensão. E, no entanto...
Naturalizado americano, por ter emigrado depois da passagem por Lisboa para Chicago, onde faleceu, o autor de O Sagrado e o Profano deu vida a uma vastíssima obra: a mais conhecida é sobre a história das religiões, a mais profunda sobre as filosofias orientais, a alquimia, as sociedades iniciáticas, o ioga e tantas outras facetas do humano, do divino, do terreno.
Nas citações fáceis, Mircea Eliade é conhecido vulgarmente pela doutrina do eterno retorno. Eis o que se sente ao terminar a leitura deste livro: o desejo de que a vida nos volte, primitiva, possível, renovável.
Estão nestas linhas a raiva de Nietzshe, a inquietação de Kierkegaard, o homem ante o espelho da sua existência. São migalhas de uma mesa repleta de um farto banquete.
jab

31/10/08

Em destaque no Pátio de Letras

bons livros de ensaio, ficção e poesia:

entre 3 e e 10 €

(na imagem: livro da Antígona - "editores refractários")

Happy Hour, 31 Out - 1 Nov


nas comemorações dos 20 anos da Cotovia, o Pátio de Letras oferece:

- 5% desconto nos livros com PVP entre 11 € 20 €
- 10 % desconto nos livros com PVP superior a 20 €



6ª f, 7 Novembro, 17h00

Discursos e Práticas de Qualidade na Televisão - de Gabriela Borges e Vítor Reia-Baptista, professores da Universidade do Algarve.
Apresentação pelo Dr. Eduardo Cintra Torres, professor na Universidade Católica e crítico de televisão no jornal O Público.

O que é qualidade em televisão? Esta antologia oferece a mais ampla abordagem sobre as investigações que estão a ser desenvolvidas em Portugal, Brasil, Espanha, Argentina, México, Inglaterra e Itália e apresenta todos os enfoques que são negociados na discussão do conceito, nomeadamente de ordem política, económica, social, cultural, ética, estética e pedagógica.

A primeira parte, Discursos de Qualidade, apresenta aspectos da definição da qualidade em televisão, contextualiza o desenvolvimento histórico de sistemas e modelos de radiodifusão, assim como as políticas adoptadas para a regulação do meio. Além de discutir aspectos pedagógicos e ressaltar a importância da aquisição de competências pelos telespectadores para que tenham uma atitude mais crítica perante o que consomem diariamente na televisão. Uma televisão de qualidade só se efectivará quando os telespectadores exigirem esta qualidade. A segunda parte, Práticas de Qualidade, centra-se na apresentação de metodologias de análise dos programas. No campo das narrativas ficcionais, dos programas infantis e do jornalismo, os autores analisam programas que se destacam pela sua preocupação ética, estética, pedagógica e/ou informativa.

Na comemoração dos 50 anos da Rádio e Televisão de Portugal, este livro contribui para a discussão do conceito de qualidade, e apresenta definições de parâmetros e critérios de avaliação a partir dos discursos e das práticas do meio televisual.
 
Fonte: Ed. Livros Horizonte

29/10/08

A Guerra Secreta em Portugal (1939-1945)

exposição da autoria de José António Barreiros



Agustín Fernández Paz vence Prémio Nacional de Literatura Juvenil de Espanha

O escritor e catedrático de filosofía galego Agustín Fernández Paz venceu o Prémio concedido pelo ministério da Cultura que distingue o melhor livro de literatura infantil ou juvenil publicado em 2007 em qualquer das línguas oficiais que se falam em Espanha, com a obra "O único que queda é o amor".

O livro, uma colectânea de contos, foi recentemente publicado em Portugal, pelas edições Nelson de Matos, com o título "Só resta o amor".

Vá ao encontro do amor no... Pátio de Letras.

28/10/08

Stefan Zweig: 24 horas na vida de uma mulher

Há livros «situados» sobre questões intemporais.
Este tem um décor, uma linguagem, uma narrativa que o tempo tornou apetecível porque antiga e refinada, de uma época cruel em que mesmo quando eram péssimos os sentimentos e miseráveis as atitudes, subsistiam, excelentes, as maneiras.
Stefan Zweig foi um notável escritor e a grande escrita irrompe logo nas primeiras linhas, as que filam o leitor pelo pescoço e o arrastam página a página, de rojos.
Além disso, há nele o momento inesperado e o modo invulgar com que saltam, de entre as linhas, ideias, sentimentos, sugestões, o «soluço selvagem e animal, como só pode soltar alguém que nunca chorou».
A história é a da paixão e seus desvarios, contada pela inglesa «Mrs. C.», amante, amorosa, capaz de muito defender porque não julga nada, compreende tudo, viveu intensamente.
Mas é mais do que isso. É uma lição sobre o mundo mágico dos que ocultam aos próprios olhos o reflexo da sua inquietação, as mãos que traem, sem pudor, a intimidade que o rosto não revela, a mesa de jogo como «arena de mãos», duas mãos trementes, «enclavinhadas uma na outra como animais em luta», «mãos frementes, arquejantes, como que sufocadas, vencidas pela expectativa, trémulas e arrepiadas».
Eis a «impúdica nudez» da paixão, a loucura fora de todas as conveniências e a morte, sempre a morte e Stefan Zweig suicidar-se-ia, no Brasil, com a sua mulher de então, o «precipitar-se directamente no nada», o ir o Homem para fora da existência.
«Envelhecer não é, no fundo, senão perder o medo do passado». Este é um livro magnífico «porque todo o sofrimento é cobarde e recua diante do amor à vida». Nos anos quarenta do século vinte estava em muitas estantes de tantas casas. Hoje regressa sem nunca ter deixado de estar.

JAB