ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

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21/03/09

POESIA

Alguém instituiu o dia de hoje com o o Dia da Poesia.

O Pedro, nosso colaborador, não simpatiza mesmo nada com este tipo de "instituições" ... Resolvi pregar-lhe uma partida: colocar aqui, hoje, o último poema que deixou no seu blog, e de que gostei muito. Sei que ele não vai levar a mal :)


quanto tempo demorará um bicho
a esquecer a cerca que o detém?
deve ser rápido, não?

o fim da correria, da inconstância
todos os dias iguais
como uma chuva fotografada
de uma manhã de fim de inverno

quase que acredito que há uma célula
na cabeça de quase todos
os animais à espera
que se multiplica velocíssima
um mercúrio que se parte
no pensamento e ensina
a monotonia aos recônditos
cantos de fera

quantos dias enfrentará um bicho
a ilusão do frigorífico
dos frutos tropicais de inverno?
quanto tempo leva até que faça
efeito o soporífero geral
e se amoche o animal
no colchão estendido sobre a vida?

quanto tempo até que
se lhe apague o riso
não por falta de graça e abundância
mas só e apenas porque se foram
as cócegas do chão?

18/01/09

poemas avulsos (1)

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que
conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

e agora... algo completamente diferente

Maria Andrade vai
à casa de banho
do aeroporto de Kinshasa
para rezar
precisa de agradecer
o encontro fortuito
com Túlio
como nas igrejas
em que entra
pela primeira vez
(é a primeira vez
que entra na casa de banho
do aeroporto de Kinshasa)
pede três graças
que mantém secretas
o Pai bate na testa
o Filho entre as maminhas
o Espírito na maminha esquerda
e o Santo na direita
às vezes o Espírito Santo
fica todo
na maminha esquerda
outras vezes o Santo
fica no ar entre as maminhas
Maria Andrade
de joelhos
de mãos postas
reza
mas as maminhas interferem
com os antebraços
Maria Andrade
nunca viu nada escrito
sobre este assunto

Adília Lopes, Quem quer casar com a poetisa? (selecção de Valter Hugo Mãe)

28/12/08

Natal solidário no Pátio de Letras


A todos quantos responderam ao nosso apelo, enviando poemas inéditos para publicação na antologia artesanal Árvore da Poesia, um muito obrigada, em nosso nome e em nome da PROVECTUS, Instituição Particular de Solidariedade Social de Apoio à Terceira Idade, com sede na freguesia da Sé, Faro, a favor de quem reverte o produto da venda.

A antologia encontra-se à venda no Pátio de Letras - preço 3 €.

participantes: ver aqui

Ao longo do mês de Dezembro os poemas enviados foram sendo colocados na Árvore de Natal, no Pátio de Letras e, no dia 20, a partir das 17h00, tal como sugerido quando da divulgação desta iniciativa, vários autores foram dizer os seus poemas, perante uma assistência especialmente participativa, que fez questão de ler poemas daqueles que não puderam estar presentes.

20/11/08

Convite/Desafio para participação na construção de

uma Árvore de Natal Solidária


Árvore da Poesia - instalação e leitura de poemas

Até ao dia 14 de Dezembro entregue-nos no Pátio ou envie-nos um poema seu, inédito, não maior que 1/4 de uma folha A4.
Os poemas serão colocados na Árvore da Poesia e será coligida uma pequena antologia, em formato artesanal, com os poemas dos participantes.

No dia 20 de Dezembro, pelas 17 horas, haverá um recital e será apresentada a antologia. Os autores que quiserem estar presentes poderão ler os seus poemas. A antologia será então colocada à venda no Pátio de Letras, revertendo as receitas da venda para uma IPSS de Faro.

16/10/08

O novo livro de Fernando Cabrita

No Pátio de Letras, o novíssimo livro de Fernado Cabrita (edição 4águas), escritor e poeta olhanense que, segundo lemos aqui, acaba de ser agraciado com o Prémio de Poesia Actor Mário Viegas.

12/09/08

Espaço à Poesia

6ª f e sábado, dias 12 e 13 de Setembro

(a partir das 20h00)

Happy Hour - POESIA em destaque

*

sábado dia 13 de Setembro, às 21h30

Apresentação de livros de Poesia e leituras
Pedro Afonso e Manuel Moya

Apresentação da revista Sulscrito nº 2


*
as roupas

corriam corriam corriam
pelo campo a respiração esverdeava
em fuga até deitar por fora os pensamentos
planavam sós numa clareira sombria

corriam nus despidos e quentes
sentindo sentindo sentindo
o mundo roçar-lhes raspar-lhes a pele os flancos
e sob os pés os cortes de estarem vivos vivos vivos

e na paragem dos corpos
todos os fluidos se libertavam na terra
a lama onde lutavam pelo ar enquanto
lhes sarava a pele e o fôlego

possuiam-se à força cravados como espinhos
nas carnes um do outro até doer nos muros
colando os corpos de baba e sangue e pó e unhas
raspavam-se nas árvores que assistiam mortas

e geravam lagartos que a ela lhe saíam do sexo
e que ele depois comia comia comia
e enterravam-se e sustiam a respiração
até quase não voltarem a ver poder pensar

depois voltando ao sítio de partida
choravam que se cegavam de vergonha
inconsoláveis mordiam os lábios sem olhar os corpos
de novo a presença das roupas crescia crescia crescia

Pedro Afonso


CANCIÓN DEL TAJO

Me quiero navegable como el Tajo
y que un hato de lucios o de tencas
salten por mi vientre.
En invierno quiero dar calor a una comarca
y en verano arrancar el escalofrío de un niño.

Me quiero navegable
y que los barcos crujan en mis huesos
y bailen las muchachas al compás de una orquesta,
que los viejos pesquen en mi orilla
y no falte al arenero su jornal, su vaso de alma.

Me quiero navegable y ser por un momento
reflejo de esos pájaros que cruzan
volando el continente,
nubes a quienes nada importa
quedarse en el camino
o deshacerse como uva en el lagar del cielo.

Me quiero navegable y estar pasando a veces
y cantar a mi modo
canciones muy sencillas y tristes.

Manuel Moya

07/09/08

POESIA em CD no ... Pátio de Letras

"SELECTA" é uma antologia que pretende promover a difusão da Poesia de um modo popular, tanto em Portugal, como nos países lusófonos e junto das comunidades portuguesas. Para que a poesia possa ser escutada na Escola, em casa ou no carro, possa ser usufruída por quem não pode ler.

A colecção, que mereceu, em Dezembro 2006, a Declaração de Interesse Cultural por parte do Ministério da Cultura, pretende ser uma fonte de consulta e de usufruto da poesia de língua portuguesa e editará poetas de todas as épocas, correntes e estilos.

É a primeira grande antologia de poetas em suporte audio que se publica em Portugal.
Todo o trabalho artístico e de produção, com excepção do design, é realizado no Algarve, por actores e técnicos aqui residentes.
A edição, da iniciativa e com produção de Afonso Dias, é da responsabilidade da MÚSICA XXI, Associação Cultural com sede em Faro.

A colecção está projectada para vinte e nove números, a editar até 2011. Estão já publicados (e à venda no Pátio de Letras - 10 € cada):

Poetas da Lusofonia – CPLP 10 anos - 50 poetas dos oito países lusófonos

Poesia de António Gedeão

Poesia de Alberto Caeiro - “O guardador de rebanhos”

Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama

Poesia de Miguel Torga

Poesia de Natália Correia

Poesia de Álvaro de Campos

Poesia de Fernando Pessoa e Ricardo Reis

28/08/08

happy hour: literatura lusófona


6º f e sábado - dias 29 e 30 de Agosto
às 21h30

literatura lusófona em destaque/promoção


Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira

Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua

Vamos atentar para a sintaxe paulista
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Cadê?
Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Hollanda resgate
E Xeque-mate, explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisa como rã e ímã...
Nomes de nomes como Scarlet Moon Chevalier
Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé, Maria da Fé
Arrigo Barnabé

Incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o recôncavo, e o recôncavo, e o recôncavo
Meu medo!

A língua é minha Pátria
E eu não tenho Pátria: tenho mátria
Eu quero frátria

Poesia concreta e prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ele está no Pão de Açúcar
Tá craude brô, você e tu lhe amo
Qué que'u faço, nego? Bote ligeiro
Nós canto falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.


Caetano Veloso

27/08/08

ainda aqui este lugar


dia 13 de Setembro, às 21h30, no Pátio de Letras


apresentação e leituras do 1º livro do farense
Pedro Afonso

Já à venda (apenas) no Pátio de Letras
(ou por pedido directo à editora 4águas)


03/08/08

poesia de Pedro Afonso

lida pelo autor, HOJE, Domingo 3, na Feira do Livro de Faro - pavilhão do Sulscrito, a partir das 21horas

O 1º livro do jovem (em idade, não na maturidade da escrita) farense Pedro Afonso é também o 1º livro da nóvel editora algarvia 4águas.




hoje, a alma queimada de sol e sal cuja carícia o corpo teima em recordar numa nostalgia que rejeito, escolho este poema:


alva lisura que se interpõe à mente
íngreme plano do possível

corro com os percevejos nas calhas
dos rodapés da nave mãe

que alicerces se constroem secretos
no inacessível do habitáculo ser

as vigas fundamentos aéreos que rondamos
e preenchemos desde margens inconcebíveis

perecíveis construções inorgânicas
que não duram mais que dizê-las

a traça de volta do candeeiro
a alva lisura que se lhe interpõe

o desconectar do corpo as asas
cair sereno para os confins do útero

descer na mente até onde tudo intercepta tudo
como pensar como lembrar como esquecer