ABRIMOS NOS DOMINGOS 15 e 22 DEZ.

Aberto de 2ª a Sábado
das 10h às 14h e das 15h30 às 19h30
abrimos à noite para as sessões agendadas

AGENDA

29/07/09

"Património algarvio em risco"

De novo a propósito da Sé de Faro:

Excertos da coluna de opinião "Tribuna Livre" (O Barlavento, 25 de Julho de 2009), subscrita pelo
Arquitecto paisagista Fernando Pessoa.

«O Fernando Grade, cujos méritos de artista são bem conhecidos, alertou há dias para os atentados à integridade da Sé de Faro, perpetrados pelas obras de restauro que ali têm sido efectuadas.

Fiquei perplexo, como todos quantos o ouviram , ao saber que não houve um projecto de restauro elaborado por especialistas qualificados, como seria minimamente aceitável, para avançar com as obras; daí estarão a resultar adulterações e graves atropelos, sendo mais gritante, para um leigo, o uso de rebocos de cimento.

Neste caso como em outros, revela-se bem a falta de consciência de todas as Entidades que têm a ver com o património e a impunidade com que se continuam a cometer acções lesivas dos valores mais notáveis da cultura algarvia, o que já seria injustificável mesmo numa dessas repúblicas das bananas, mas que é absolutamente intolerável num país que, pertence à UE e que sendo riquíssimo em termos de património, se revela paupérrimo em termos do nível cultural de dirigentes, responsáveis e gestores ( públicos e privados).

Recorrer a especialistas – que os há muito competentes – não parece ser regra.

Mas património não diz respeito apenas, como parece que muita gente ainda pensa, aos monumentos e edifícios notáveis; um monumento não vale só por si, mas também por todo o tecido construído que o envolve.
(...)
A pouco e pouco o Algarve, com um l ou com dois l, vai sofrendo intervenções descaracterizadoras e empobrecedoras do seu património.
Seriam precisas muitas páginas para contar tudo o que se tem feito – e continua a fazer – por aí, pondo em risco, muitas vezes de forma irreversível, o património do Algarve.
(...)
Confio que daqui a algumas gerações, com outro entendimento e outra cultura geral que falta, hoje, à maioria dos decisores, elas façam desta geração o juízo condenatório que ela merece; e que naquilo que ainda vier a ser possível venham a corrigir os actos de incompetência, primarismo, ganância e estúpida auto-suficiência que caracteriza muito dos manda-chuvas destas décadas.»

28/07/09



(clicar na imagem para visualizar melhor)

Teresa Muge no Patio@Bar - 5ª f 30, 22h

"Cantigas à moda da Teresa" - música tradicional Portuguesa cantado por Teresa Muge, membro do Grupo músical tradicional do Algarve as "Moçoilas

"As cantigas da Teresa são de amor e de humor, sendo a ternura a tonalidade principal.
Iniciou a sua carreira nas Irmãs Muge, em Moçambique que facilmente se tornaram duas das vozes mais apreciadas da África de outros tempos...
Numa das cambalhotas da vida veio até Portugal e tornou o Porto a sua Nação e o Alentejo a sua Alma, mas foi o Algarve que a “amarrou”. Das muitas colaborações que teve em muitos grupos e movimentos ao longo deste percurso até aqui, hoje é uma das Moçoilas mais traquinas e põe a sua voz em todas as grandes causas enquanto faz da vida com verdade, a sua causa.

Irá preencher-nos com cantigas de variados universos espácio-temporais, autorais, políticos, estéticos, afectivos... (Teresa Muge, Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Amélia Muge, Zé Mário Branco, Jorge Palma, Amália, Brel, Juan Manuel Serrat, Ricardo Cocciante...), tecidas num tear posto à moda de quem, cantando, as devolve à sua pluriversidade original".

27/07/09

SALVEM A SÉ DE FARO!

No passado dia 18 de Julho, no Pátio de Letras, Fernando Silva Grade, demonstrando um aprofundado conhecimento da temática da reabilitação do património edificado, fez uma apresentação, apoiada em imagens bem elucidativas, sobre que obras foram feitas, com que materiais foram feitas e como desrespeitaram a traça e história arquitectónica da Sé, emblemático monumento de Faro e do Algarve.
Tais obras, efectuadas sem qualquer projecto, foram finalmente interrompidas (até que o haja), graças ao empenhamento do Fernando Silva Grade nesta causa.

Contudo, relativamente ao que já foi feito/estragado, não há sequer a promessa de rever a situação... por isso, ali mesmo durante o debate, surgiu a ideia de fazer e colocar em subscrição uma PETIÇÃO de CIDADÃOS com a finalidade de sensibilizar quem de direito para a necessidade de reavaliar e alterar o que foi (mal) feito.

O Fernando e o Alfredo Franco deram já início ao processo: a petição já está on line e para a ler, ver quem já a subscreveu, assinar também e reencaminhar aos seus amigos basta clicar aqui.
Criaram também um blog (onde também podce aceder á petição)

Eu já assinei e exorto-o/a a apoiar esta acção de cidadania assinando também.

ler e respirar 9

Um dos melhores meses de Agosto dos últimos anos, passei-o a ler em trabalho. Explico-me: um editor amigo, sabedor de alguma das minhas manias e idiosincrasias literárias propõs-me que lesse uma tradução, pagando-me para o efeito uma soma bastante agradável.

Terá sido a primeira vez que ler foi, para mim, um trabalho pago. Munido, portanto, de uma edição castelhana, de altíssima qualidade, agarrei-me á tradução do “Quixote” e com dois marcadores, um azul e outro vermelho, mudei-me para as Rias Bajas, onde consumi doses excessivas de pimentos do Padrão (uns picam outros não!), ensaladilla, peixe grelhado, mexilhões ao natural, muitas saladas, mais mexilhões, variadas espécies de outros mariscos, empanada, bacalhau á biscaínha (na Galiza!), paellas e arroces divinos, mexilhões de novo, enfim, uma orgia a que só faltaram, por razões evidentes, o porquinho e todos os seus derivados. O porco, um dos grandes totens da península, a par do touro, não faz boa companhia no Verão. Nem o famoso “lacón con grelos” comida invernosa por excelência.

Portanto, o quixote. Pela décima ou décima primeira vez, desde uma ediçãozinha para crianças até á saborida tradução-traição de Aquilino. Anotando imperfeições, formas verbais, irritando-me com alguns arcaísmos que, na minha modesta opinião, mereceriam um liftinga actualizador, mas enfim. Li e reli. Passei nisso tardes inteiras á beira-água, comovendo-me com as desventuras do cavaleiro, com a bonomia de Sancho, com a ingratidão dos presos que o fidalgo liberta, com a sólida toleima dos paisanos da Mancha que vêem moínhos onde porventura há gigantes.

Leitores, sei bem, que o entusiasmo é mau conselheiro. Que deveria antes usar um argumentário erudito para dizer por que é que se deve ler o quixote. Deve? Tolice. Não se deve ler nada excepto, eventualmente, a literatura inclusa nos pacotes de medicamentos. Ler é um prazer, uma viagem à bolina, uma segunda vida, um momento de evasão, nunca um dever.

Este cavaleiro da triste figura cavalga desde há quatrocentos anos! Ainda nem tinha secado a tinta da primeira impressão e já estava a ser traduzido em inglês, francês, alemão. Apareceu logo uma segunda parte falsa que o próprio Cervantes teve de combater publicando também ele uma continuação da aventura. Afortunadamente!

O resultado aí está. A liberdade que avança pels caminhos da Mancha até um ponto difícil de encontrar. Ou fácil. Basta, para isso, ler o livro. E agradecer-me, depois, o conselho. Ou, melhor: nem é preciso. Os leitores, os verdadeiros, trocam estas dicas só pelo gozo. Que começa assim: “num lugar da Mancha, de cujo nome, não quero lembrar-me……”

* o escriba retira-se por algum tempo para as rias onde repetirá não a leitura mas os excessos gastronómicos que referiu aí em cima. Boas férias, boas leituras.

25/07/09

hoje às 22h no Pátio de Letras

sábado 25, 22h00
exibição de documentário sobre o escritor WILLIAM BURROUGHS,
seguida de tertúlia... se os presentes estiverem nessa "onda" :)


(clicar na imagem para aumentar)


Burroughs foi um dos maiores escritores da chamada geração “Beat” (ou “beatnik”), tendo inaugurado uma nova maneira de escrever (foi ele que popularizou a técnica do “cut up” inventada por um grande amigo seu, Brion Gysin, e foi ele também que inventou o termo “heavy–metal”).
Jack Kerouac ("o pai" da geração beat) considerava-o “o maior escritor satírico desde Jonathan Swift”, ou ainda como “o fora-da-lei da literatura”.

William Seward Burroughs nasceu em St. Louis, Missouri (EUA), a cinco de Fevereiro de 1914.

Estudou numa escola em Los Alamos, México e mais tarde graduou-se em Harvard em 1936.

Durante um período Burroughs foi morar na Alemanha onde pretendia estudar medicina. Aí conheceu Ilse Herzfeld Klaper, uma judia alemã, com quem casou para que ela pudesse ir viver nos EUA, visto que o nazismo começava a tomar conta da Alemanha. Eram muito amigos e tinham o costume de almoçar quase sempre juntos, mas jamais chegaram a viver como marido e mulher. Burroughs acabou por se separ oficialmente dela na década de 40, para se casar com Joan Vollmer.

Talvez tenha sido nesta época, em que esteve em contacto com o nazismo na Alemanha, que tenha começado a interessar-se pelos mecanismos de controle do Estado sobre os cidadãos, umas das problemáticas que permeiam a sua obra e sobre a qual escreveria: “Desde o começo eu tenho-me preocupado, enquanto escritor, com o vício em si (seja a droga, sexo, dinheiro, ou poder) como um modelo de controle...”.

Aliás, de vícios Burroughs entendia. O seu estilo de vida, totalmente incomum para a época, fez com que ele se tornasse um ícone da cultura beat.

Quando morava em Chicago, Burrougs conheceu David Kammerer que teve um papel fundamental na sua vida, pois foi através dele que o escritor conheceu o pai (este sim) da cultura beat, Jack Kerouac. Foi Kerouac o primeiro a incentivar Burroughs a escrever.

Em 1951, Joan, a esposa de Burroughs, foi morta por acidente por ele mesmo. Alegou que estavam “brincando” a reproduzir a cena de Guilherme Tell – só que no lugar da maçã tinham colocado um copo na cabeça de Joan e no lugar do arco e flecha, um revólver. E estavam bêbados...

Em 1956 Burroughs escreveu uma carta ao Dr. John Dent, médico e pesquisador sobre o vício em drogas, onde relatava todas as suas experiências com o uso de opiáceas, estimulantes, cannabis, alucinógenos, álcool...; essa carta acabou por se tornar o início de seu livro de maior sucesso, “Naked Lunch” (Almoço Nu), publicado em 1959.
“Almoço Nu” foi escrito durante as viagens de Burroughs pela América Latina e depois por Marrocos, após a morte da mulher.

“Almoço Nu” chegou a ser proibido nos EUA por ser considerado um livro obsceno, mas acabou por ser reconhecido como uma importante obra literária.

William Burroughs morreu em 1997 de ataque cardíaco.

É reconhecido como uma das figuras mais influentes da contracultura.


(muito) adaptado de http://www.infoescola.com/escritores/william-burroughs/

22/07/09

1ª sessão Ciclo "Alternativas numa noite de Verão"

sábado 25, 22h00
exibição de documentário sobre o escritor WILLIAM BURROUGHS,
seguida de tertúlia... se os presentes estiverem nessa "onda" :)



(clicar na imagem para aumentar)

21/07/09

sexta 24 no Pátio de Letras

Estarão presentes, de entre os autores (ver todos aqui), a ilustradora Ana Ramalhete e, já confirmados, os escritores Sara Monteiro e Paulo Kellermann

novidades acabadinhas de chegar

Esquerda na Encruzilhada ou Fora da História?, Eduardo Lourenço, Gradiva

A Energia da Razão, Fernando Ramôa Ribeiro (coord.), Gradiva
O Património Genético Português, Luísa Pereira e Filipa Ribeiro, Gradiva
Nocturnos, Kazuo Ishiuro, Gradiva

5ª feira, 23 de Julho, às 22h


InTentoTrio no Patio@Bar



Fernando Pessanha: piano
Pedro Reis: baixo
J. P. Melro: percussão


20/07/09

ler e respirar 8

Fala do leitor contente
O menino que trazia o cão pela trela, ou melhor, o menino que o cão quase arrastava, parou à minha frente e perguntou-me: porque é que te estás a rir? Porque estou a ler um livro muito engraçado, respondi-lhe. É uma história? Sim, mais ou menos. Contas-ma? A três mesas de distância um pai embevecido ouvia esta conversa sem mover um pé que fosse para me salvar deste apuro. Ele come bem?, perguntei-lhe, numa súbita iluminação. Assim, assim, condescendeu o pater famílias com um sorriso amarelo. É um castigo para comer legumes..., lamentou-se. Ai tu não comes legumes? Não gosto, respondeu, displicente, o do cão. E de salada? Também não.
Ai então não te posso contar esta história porque só quem come imensa salada é que a pode ouvir.
Não sei se o convenci ou se foi o cão que, apiedado de mim, resolveu puxar o seu dono. E foram para o jardim medir forças.
E eu continuei a rir-me e a ler a “Fala da criada do Noailles que no fim de contas vamos descobrir chamar-se também Séverine numa noite do inverno de 1975 em Hyères” (porra que um título deste tamanho deixa um cristão a ofegar!).
Leitoras e leitores, não passem por este livro com indiferença. O Jorge Silva Melo, que não vejo há uns bons trinta e tal anos escreve bem, escreve inteligentemente, escreve escorreitamente, tem humor e é culto. Também é mais uma série de coisas mas agora o que me interessa é chamar a atenção para esta “pequena paródia” (JSM dixit) que é uma coisa que nos põe de bem com a literatura, com o mundo e até com ... não com a senhora da educação também seria demais. Mas pelo menos durante o breve tempo de leitura a gente até pensa que vive num país culto e eficiente. Querem mais?
A edição é dessa excelente passeriforme da família dos alaudídeos, o mesmo é dizer da Cotovia, uma editora de truz que ainda por cima tem a sede na loja que foi da antiga livraria opinião em Lisboa. Bons tempos e boas leituras... e tantos amigos.

*este texto não é original pois foi publicado no blog incursoes. todavia o autor queria muito falar deste livrinho e achou que os leitores algarvios - gente culta e marítima - não se iam importar com a importação de um texto de outro blog para este pátio.

** na gravura: uma das Noailles. Gente fina, e culta, é outra coisa.

Programação 2ª quinzena Julho e mês de Agosto

Alguns ajustes na programação de Julho e uma nova sessão, a 31, com Miguel Portas, bem comoa programação de Agosto - ver acima no calendário.

14/07/09

Convite: este sábado às 21h30


Nuno júdice e o soneto: 6ª f. 17 Julho 21h30


«As 2 Culturas»: A Comunicação, a Arte e a Ciência em Diálogo

6ª feira 17 de Julho:
14.30 - Anf. 0.5, Campus da Penha / 17:30 - Pátio de Letras, Faro

Objectivo deste colóquio: discutir a integração da arte na ciência, assim como a ciência da arte, nas suas várias facetas, nomeadamente as que se prendem com a investigação necessária ao seu desenvolvimento sério, fundamentado e interventivo. Escolhemos 2 momentos diferentes abertos a toda a comunidade e 4 distintos convidados:

1 – Exibição do filme CAMARATE, de Luís Filipe Rocha, ás 14.30 no anfiteatro 0.5 do Complexo Pedagógico do Campus da Penha da Universidade do Algarve.

2 – Colóquio/Convívio às 17.30, na livraria/bar Pátio de Letras em Faro, com os seguintes convidados:

Claudio Sunkel: Director do IBMC-Univ do Porto (Instituto de Biologia Molecular e Celular- Lab Associado): um apaixonado da Ciência e um mestre da arte da microscopia para revelar o infinitamente pequeno.

Claudio Torres: Director do Campo Arqueológico de Mértola. Sabe como ninguém cativar uma audiência nos meandros da história das múltiplas populações árabes e cristãs da região e dos seus legados.

Amélia Muge: cantora, autora e compositora, cujas obras são autênticas pérolas de qualidade e de originalidade artística, possui também um percurso riquíssimo de investigação e acção pedagógica e cultural.

Luis Filipe Rocha: Cineasta que realizou recentemente um excelente filme, por todas as razões que se possam invocar, A OUTRA MARGEM, e anteriormente filmes que implicaram grande trabalho investigacional como CAMARATE e SINAIS DE FOGO, assim como alguns dos mais importantes filmes do cinema português do pós 25 de Abril: BARRONHOS, A FUGA, CERROMAIOR …

*
Celebra-se este ano, um pouco por todo o lado, a conferência «The 2 Cultures» proferida pelo físico e escritor inglês C. P. Snow em 1959, em Cambridge, na qual abordou a enorme perda que representa a divisão acentuada e mais ou menos estanque que existe entre o campo das Ciências e o das Humanidades.

Também na Universidade do Algarve se assinala esta celebração e ainda muito recentemente o seu Reitor se lhe referiu publicamente no discurso que proferiu por ocasião do Doutoramento Honoris Causa conferido pela Ualg ao Prof. Borges Coelho. Assim, dois professores e investigadores da Ualg, que integram os dois campos em causa, Leonor Cancela e Vítor Reia-Baptista, tiveram a iniciativa de promover uma série de DIÁLOGOS SOBRE «AS 2 CULTURAS», também para assinalar os 30 anos da Universidade do Algarve, mas sobretudo para incentivar o intercâmbio de ideias e o diálogo de facto (e não apenas uma sobreposição de monólogos) entre os diferentes sectores e centros de investigação que existem na Ualg, das humanidades e das ciências, mas chamando também para estes diálogos os contributos de personalidades externas de grande mérito nos seus diferentes campos de actividade.

Objectivo deste primeiro colóquio: discutir a integração da arte na ciência, assim como a ciência da arte, nas suas várias facetas, nomeadamente as que se prendem com a investigação necessária ao seu desenvolvimento sério, fundamentado e interventivo.
A ideia principal é mostrar que há uma necessária interrelação entre estas duas «ARTES», ou «CULTURAS» que caminham muitas vezes em paralelo, e que precisam uma da outra de forma intrínseca. Ambas requerem, motivação, empenho, paixão, e são muitas vezes indistinguíveis, caminhando por vezes nas pegadas uma da outra e outras vezes trabalhando paredes meias... mas ignorando-se mutuamente!
Mas também, mostrar que um trabalho sério numa ou noutra destas «ARTES», requer um investimento grande na parte de investigação, ainda que esta se revista de formas muito diferentes, o qual deve ser reconhecido e considerado pelos pares, pela universidade e pela sociedade em geral.

Investigar é preciso … e Comunicar também!
Do mesmo modo, torna-se igualmente necessário e importante comunicar esses resultados, também muitas vezes chamados «materiais», «produtos», «outcomes», «deliverables», … ou seja, colocar em comum, de formas variadas, quer amplas e abrangentes para um público global, quer mais restritas e específicas para públicos selectivos, esses resultados. Nesta perspectiva, seja o trabalho de investigação, seja o de comunicação, ambos se revestem de múltiplas facetas igualmente importantes, quer para as artes, quer para as ciências, quer para a própria comunicação artística e/ou científica.

Acima de tudo, queremos passar uma horas a conversar e a trocar pontos de vista com quem tem visões e/ou vivências diferentes sobre um mesmo assunto ou tema dos que aqui são propostos.

adaptado de texto enviado pela Prof. Doutora Leonor Cancela e pelo Prof. Doutor Vítor Reia-Baptista

5ª f dia 16, 18h - um debate necessário


Viagem pelo planeta subterrâneo

"Viagem pelo planeta subterrâneo, revelação do labirinto ou da aporia, descida aos infernos. Crónica de um viver entre contextos de delapidação e precariedade. Texto premente, a cortar o real com mão precisa e bisturi, e para memória futura. Um livro, quero dizê-lo, raro e siderante. Não se lê à margem da emoção, do sobressalto. De relato em relato, história em história.

Numa escrita que renuncia a quaisquer adornos ou efeitos, se cola aos factos e exprime segundo princípios de rigor, concisão, clareza, sem nunca perder o registo das tensões e a variabilidade formal, Ana Cristina Pereira conduz o leitor pelos espaços e tempos da nossa derrota colectiva, da exclusão à violência, da miséria às solidões de cada idade do sofrimento e da desesperança. E é a eloquência do que, em regra, não vemos: cenários, personagens, situações no desabrigo das cidades ou nos meandros do crime. Aí estão, opostos a qualquer ingenuidade ou miserabilismo, toxicodependência e álcool, transexualidade, doença seropositiva, prostituição, assaltos, narcotráfico, a infância esbulhada onde sonhos e jogos afloram como último resíduo do humano. Nunca enquanto resultado de uma efabulação, nunca ao sabor do lixo sensacionalista ou das incursões de mera superfície.

E os nomes, as pessoas. D. Cândida, 76 anos, 15 filhos, “mais de 90 netos”, Liliano, os rapazes dos gangs ETA e PPR, Rita, Grilo, Siga, Rúben, que “mudou de rumo”, tantos, tantos outros. Episódios cujo fulgor de treva e pobreza em nós perdurará, entre inscrições legendárias da literatura ou do cinema realistas. O miúdo do triciclo sem a roda traseira na vila piscatória, desde logo. Por que páginas se esgueira, em que película ou tela? E, no entanto, não há ficções nem intencionalidade estética nos quadros e movimentos de Meninos de Ninguém, obra de jornalismo na sua realização mais exigente. Reporta-se o observado, quanto se ouviu e investigou, o imprevisto, a emergência ou o desvendamento dos entrechos a partir da gramática primordial, isenção e objectividade, busca do contraditório e das vozes que importam, apenas essas, num registo de alto quilate.

O leitor, assim posto no centro dos universos em chaga, fuligem, fractura, destroços que incendeiam, acabará percutido pela evidência e insusceptível de renúncia ética. Há o que urge remir, erradicar. Depois deste empreendimento notável de Ana Cristina Pereira, saberemos até que ponto a fragilidade das instituições e a inércia dos cidadãos se tornam uma afronta e um calafrio que não quereremos prolongar."

José Manuel Mendes (Escritor, Professor de Deontologia da Comunicação na Universidade do Minho, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores)

mais textos e informação sobre o livro em:

http://meninosdeninguem.wordpress.com/


5º feira 16, à noite


22h00
TEATRO...DO...OPRIMIDO

Teatro do Oprimido é um método teatral que reúne Exercícios, Jogos e Técnicas Teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do actor que tem grande repercussão mundial.

A sua origem remete ao Brasil das décadas de 60 e 70, mas o termo é citado textualmente pela primeira vez na obra Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Este livro reúne uma série de artigos publicados por Boal entre 1962 e 1973, e pela primeira vez sistematiza o corpo de idéias desse teatrólogo.



23h00 - JUS OU A SOLIDÃO DA JUSTIÇA
(projecto do te-ATRITO)


o vídeo-documentário e o espectáculo JUS ou a solidão da justiça e é simultaneamente um trabalho filosófico, sociológico e antropológico, de reflexão sobre a Justiça, o Direito e a Religião. A partirde espaços concretos e isolados - um na serra (Aldeia de Cachopo), outro no mar (Ilha da Culatra) e outro na cidade (Estabelecimento Prisional de Faro) - pretendeu-se entrelaçar o processo de criação artística com a realidade socio-existencial vivida por pessoas concretas habitantes desses espaços e levar o resultado criativo a essas populações.

O documentário, que engloba as entrevistas feitas às populações do Cachopo, da Culatra e do Estabelecimento Prisional de Faro, bem como imagens destes três locais, conta com música original de Gustavo Brandão. Foi realizado por Pedro Pinto e tem a duração de dez minutos.

13/07/09

ler e respirar 7

A Sicília de outra maneira

Se Portugal fosse, do ponto de vista de séries televisas (já nem falo do cinema….) um pais normal, eu não me atreveria a falar deste autor. É que, correram em Itália, pela RAI cerca de dez ou doze filmes com as aventuras do comissário Montalbano. Darei também a referencia para quem quiser encomendar os filmes, aliás excelentes, e a melhor direcção italiana para os obter depressa e com segurança.

Hoje, e aqui, falaremos apenas dos livros.

Andrea Camilleri não é exactamente um desconhecido em Portugal, longe disso. Há que eu saiba, pelo menos, cinco livros dele editados pela Difel e não excluo que haja outros e até noutras editoras. A razão é simples: trata-se de uma série policial muito bem escrita, extremamente cativante, sem recorrer aos narizes de cera muito em voga quando se fala da Sicília, numa terra tão inventada que parece verdadeira.

Camilleri é um cavalheiro de provecta idade que só cerca dos setenta começou a publicar. De súbito, em pouquíssimo tempo, via seis ou sete dos seus livros, na lista dos dez mais vendidos. Não que eu me enterneça demasiadamente com estas explosões de devoção pública, basta ver com que lenha por cá nos aquecemos no que toca a best-sellers. Todavia, aqui, o clamor público é merecido: uma história sólida, uma linguagem viva, humor e, sobretudo, um par de personagens que, ao longo dos livros se vão tornando muito da nossa família.

O romance policial atravessa de alguns anos a esta parte um merecido momento de sucesso. À uma porque permite descrever uma sociedade bem melhor do que muitos romances tradicionais. Depois porque se libertou do “mistério” engenhoso com “M” grande e do detective sofisticado e omnisciente que, pelo menos no que me toca, desesperava o leitor por demasiado subtil.

No caso concreto estamos perante um comissário de polícia numa pequena cidade, bem na sua pele, guloso, sem ilusões quanto aos mecanismos do poder local e regional, tentando apesar de tudo levar a cabo a sua missão sobre um fundo de terra cansada de muita guerra (e a Sicília, onze vezes invadida por diferentes povos sabe-o bem) e enfrentando não só os seus específicos problemas mas também os que decorrem de um poder central distante e corrupto.

Camilleri que deu ao seu comissário o nome de Montalbano em homenagem a Manuel Vasquez Montalban tem no seu já vasto repertório mais duas outras séries que a critica apelida de “históricas”: uma dedicada aos mesmos locais mas durante a passagem do sec. XIX para o XX e outra mais próxima, sobre os anos do fascismo. Que eu saiba não estão ainda vertidas para o português. No entanto, o que há já chega para abrir o apetite e mesmo para o saciar, provisoriamente. A vossa excelente livreira fornecer-vos-á as informações necessárias. Por minha parte, resta-me recomendar calorosamente Camilleri. Fixem este nome: é boa literatura e, mesmo que isso pareça desqualificante, é boa literatura para o Verão.

Quem, porventura, esteja interessado nos dvd que referi, todos na série Montalbano, poderá encomendá-los em www.dvd.it (“Il comissário Montalbano”). Estão publicados doze títulos e dos primeiros dez há dois “cofanetti” de cinco títulos cada. Claro que a língua usada é o italiano mas isso já é convosco.

08/07/09

Programa (corrigido) da semana do

1º aniversário do Pátio de Letras

5ª f 9 Julho, 22h00

Jazz com os “IN Due II" (Carlos Barreto: contrabaixo; Miguel Martins: guitarra

(org. Patio@Bar)

6ª f 10 Julho, a partir das 21h30

“Memórias de Leonel Neves - inauguração de exposição documental sobre o escritor farense e ilustrações de Tósan

sessão de fados com letra de Leonel Neves

(co-org. UALG)


Sábado 11 de Julho:

17h30

“Olhão fez-se a si próprio” - apresentação do novo livro de António Rosa Mendes,

por Fernando Paulo Custódio e Arnaldo Matos (mais informação aqui)


21h30

“O Algarve mole e impressionista na poesia de João Lúcio” – conferência por Vasco Barbosa Prudêncio

(co-organização UALG e CIIPC; mais informações aqui)

22h30

"Ary dos santos, In Memoriam" - música e poesia por Afonso Dias

07/07/09

adenda ao post anterior

Como adenda ao texto anterior, deixamo-vos aqui os livros dos autores referidos que temos no Pátio de Letras:

Truman Capote:
Breakfast at Tiffany's, Dom Quixote, PVP: 13€
Sangue Frio, Dom Quixote, PVP: 20€
Suplicas Atendidas, Dom Quixote, PVP: 13,90€
Travessia de Verao, Dom Quixote (BIS), PVP: 5,95€
Travessia de Verao, Dom Quixote, PVP: 12,20€
Contos Competos, Sextante, PVP:22€

John Cheever:
Contos Completos, Sextante, PVP: 25€
Falconer, Sextante, PVP: 16€

06/07/09

ler e respirar 6



Dois contistas de excepção

E, já agora, dois excelentes romancistas! Falo-vos de John Cheever e de Truman Capote, quase da mesma geração, ainda que Cheever seja mais velho cerca de treze anos. Aliás pouco terão em comum, for a o facto de serem americanos. Cheever pinta os subúrbios enquanto o sulista Capote começa pelas prosas poéticas mas rapidamente, graças, a “A sangue frio” começa a ser reconhecido pelo seu realismo. A fama surpreende-o pouco e torna-se mesmo um dos escritores mais em voga nos Estados Unidos e na Europa onde desde muito cedo começa a ser traduzido. Compulsei agora mesmo, a sua estreia em Portugal, “A Harpa de Ervas” (Estúdios Cor) e verifiquei que o meu exemplar foi adquirido há precisamente cinquenta anos.

Cheever demorou mais a atravessar o Atlântico. Creio que começa a ser falado já nos anos setenta ou primeiros oitenta, o mesmo é dizer que já escrevera grande parte da sua obra, pelo menos a mais importante.

Todavia, não é dos romances de ambos que venho dar notícia mas apenas, como prometera, no último folhetim, dos contos. Dos magníficos, saborosíssimos, extraordinários contos. Ora aqui está boa leitura para o Verão. Entre dois mergulhos lê-se descansadamente um conto. Salutar e abre o apetite para um peixinho grelhado e uma salada. Outro conto, uma sesta reparadora, um passeio ao longo do mar, muitos amigos, a cervejinha do fim da tarde e por aí fora. A estação quente pede leituras boas mas com a natural intermitência que a vida balnear provoca. Ora nessa conjuntura, ou se tem em mãos um grande romance que por força se quer ler, ou o melhor é recorrer ao conto, arte maior muito desprezada hoje em dia, cá pelo burgo.

Justamente andam por aí à venda duas edições excelentes de contos destes cavalheiros. Ambas com a chancela absolutamente recomendável da Sextante, editora que tem um excelente catálogo (mesmo se também publique alguns produtos menos interessantes mas de escoamento rápido. Aliás, o que interessa, o que me interessa, é que haja bons livros publicados. Se para isso também se trazem á duvidosa luz do dia escritos menores não me ofendo. Ninguém me obriga a comprar tudo o que se publica mas apenas aquilo que quero, de que gosto ou que amigos avisados me recomendam.).

Se a memoria não me falha estão disponíveis o primeiro volume dos “Contos completos” de Cheever e a integral dos “Contos” de Capote. São edições recentes e, ao que sei, o público terá preferido ler antes os cavalheiros e cavalheiras que se notabilizam na nossa televisão. O mundo é assim e não há volta a dar-lhe. Ou como dizia o meu avô: “se puseres na Ribeira duas mesas de comida uma com iscas de fígado aldrabadas e outra com caviar podes ter a certeza que cai tudo na primeira e a segunda com sorte terá um só (feliz) comensal.”

Leitores, mesmo que um democrático e patriótico gosto pelos petiscos tradicionais seja de louvar não se esqueçam que há mais cozinha noutros lados. De comer e chorar por mais. E posso garantir que nos últimos meses não se publicou, no campo da ficção indígena, nada que se chegue ao Cheever ou ao Capote. Nada!

Para a semana falaremos de "policiais"

*esta secção muda de nome. de facto "ler e depois" é o título de um livro de Óscar Lopes e nem mesmo como homenagem (aliás justa) me atreveria a usar um título de outrem.

05/07/09

“RETRATOS DE ABRIL 35 ANOS DEPOIS”

Pátio de Letras – 6 de Julho às 18h00
(co-organização com a Câmara Municipal de Faro)

Apresentação, pelo Dr. Luís Villas Boas e pelo Tenente Coronel José Fontão, do livro “Retratos de Abril 35 anos depois”, de VERÍSSIMO DIAS.

O livro do fotógrafo Veríssimo Dias apresenta mais de 100 retratos dos militares de Abril.

Eduardo Lourenço, num dos textos de abertura, diz que “os ‘heróis de um dia’ envelheceram. Envelheceram bem, como este álbum de magníficas fotografias de Veríssimo Dias o testemunha. Da maneira mais eficaz, o seu autor oferece-lhes e oferece-nos um presente onde um dia único do passado se escreveu na nossa memória”.

“Actuei sem reservas mentais ou ideológicas, procurando fotografar as principais personagens militares ligadas ao 25 de Abril desde a sua génese mais profunda até aos mais marcantes acontecimentos posteriores à madrugada libertadora”, escreveu Veríssimo Dias na introdução do livro.

Veríssimo Dias nasceu a 19 de Abril de 1955 em Angola. Faz o ensino secundário no liceu Salvador Correia em Luanda, participando em conspirações estudantis de 1972/73, razão pela qual foi preso e irradiado do ensino. Logo após o 25 de Abril foi amnistiado e veio para Portugal. É licenciado em Silvicultura e doutorado em Biologia.
Foi, durante muitos anos, professor do ensino secundário e colaborou com universidades portuguesas e estrangeiras.
Actualmente trabalha essencialmente como projector e consultor em matérias ambientais, em particular nos temas relacionados com a água.
Faz fotografia desde a sua juventude e este é o seu primeiro livro de retratos publicado.

“Olhão fez-se a si próprio”

Sábado, 11 Julho, 17h30

“Olhão fez-se a si próprio” , o novo livro de António Rosa Mendes editado pela "Gente Singular", apresentado pelos Drs. Fernando Paulo Custódio e Arnaldo Matos

António Rosa Mendes, é professor na Universidade do Algarve. Coordena o Mestrado em História do Algarve e o Centro de Estudos de Património e História do Algarve (CEPHA). Foi presidente de Faro, Capital Nacional da Cultura 2005 e responsável científico do Congresso Olhão, o Algarve e Portugal no Tempo das Invasões Francesas.

Olhão, que começou por ser um aglomerado de míseras palhotas habitadas por gente marítima, em menos de duzentos anos, de meados do século XVII aos inícios do século XIX, fez-se a si próprio freguesia e fez-se a si próprio vila com carácter e personalidade inconfundíveis. Uma fulgurante trajectória que exigiu muita tenacidade, sacrifícios, entusiasmo colectivo, todo um esforço sustentado por sucessivas gerações.

Resistiu aos poderosos inimigos que tudo fizeram por destruí-lo à nascença e depois paralisar o seu crescimento, e no decurso do século XVIII quintuplicou de um para cerca de cinco milhares os seus moradores, substituiu a maioria das palhotas por casas e assentou na pesca do alto e no comércio de cabotagem, lícito ou ilícito, o seu surto económico.

Em 1808, quando os invasores franceses se instalaram em Faro, a cujo concelho pertencia, Olhão era uma consolidada localidade de mareantes dotados de fortíssima vinculação comunitária e a quem o Compromisso Marítimo unificava. E é em Olhão que eclode, a 16 de Junho, o levantamento popular contra os ocupantes e contra as autoridades concelhias que com eles colaboravam. O povo enquanto tal irrompeu dramaticamente na cena pública como sujeito político activo, como força tanto física como moral. Foi pelo povo que Olhão se fez a si próprio.

Tal a história que neste livro se conta.

03/07/09

Alguns dos livros acabados de chegar

Meninos de Ninguém, de Ana Cristina Pereira,
Ed. Ulisseia

A Filosofia Hebraico-Portuguesa, de Pinharanda Gomes, Ed. Guimarães

Violência, de Slavoj Zizek,
Ed. Relógio D'água

Breakfast at Tiffany's, de Truman Capote,
Ed. Dom Quixote

Silogismos da Amargura, de E. M. Cioran,
Ed. Letra Livre

História da Primeira República Portuguesa, com
coordenação de Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo,
Ed. Tinta da China

Grimus, de Salman Rushdie,
Ed. Dom Quixote

No Bosque do Espelho, de Alberto Manguel,
Ed. Dom Quixote

Be Loved, de Toni Morrison,
Ed. Dom Quixote